Na Oração Eucarística, durante a Missa, rezamos assim: “Lembrai-vos, Senhor, da vossa Igreja espalhada pelo mundo e confirmai-a na fé e na caridade, em comunhão com o vosso servo, o Papa Francisco…”.

Assim rezando, compreendemos que a comunhão, na Igreja Católica, além da fundamental comunhão com Deus, implica também a união de todos os cristãos com o Papa, sucessor do apóstolo Pedro, e a união de todas as Igrejas à Igreja de Roma.
O bispo de Roma é, portanto, o sinal visível desta comunhão universal e a sua catedral, a Basílica de São João de Latrão, é chamada “Igreja mãe de todas as Igrejas”. Celebrando a dedicação daquela que é também a Igreja mais antiga do Ocidente, as Igrejas de todo o mundo, unindo-se a ela, reconhecem-na como “aquela que preside à caridade”, como dizia já Santo Inácio de Antioquia. Celebramos, pois, uma festa de família!
Sabemos que a Igreja, falando propriamente, não são os templos de pedra onde os cristãos se reúnem, mas sim o conjunto dos cristãos, pedras vivas. Assim, fazendo todas as leituras de hoje referência ao templo, percebemos que se referem a nós, como esclarece o Apóstolo Paulo: “vós sois esse templo”. Além disso, acreditamos que a Igreja é mais do que uma simples instituição humana: é povo de Deus, Corpo de Cristo, vivificado e animado pelo Espírito Santo. A Palavra de Deus ajuda-nos a compreender e a viver este mistério.
O profeta Ezequiel, com linguagem simbólica, fala de um rio que nasce debaixo do templo e cuja água, por onde passa, tudo enche de vida e fertilidade. Esta água, aplicada à Igreja, é símbolo da do Baptismo: por ela somos lavados da mancha do pecado original e nela renascemos para a vida da graça; fomos mergulhados na morte de Cristo e com Ele ressuscitámos; “todos aqueles a quem chegou esta água foram salvos”.
Recordando que somos templo de Deus, São Paulo adverte-nos acerca do modo como o edificamos: “veja cada um como constrói”. A qualidade da pedra que somos, determina a qualidade e beleza do edifício que construímos. A Igreja também é o que for cada cristão. As nossas comunidades cristãs, paróquias ou movimentos, têm o rosto daqueles que as formam.
Com a religião podemos chamar a atenção dos turistas, mas só a verdadeira fé e o amor chegam a seduzir peregrinos, dispostos a entrar e a fazer caminho connosco. Só a caridade cimenta a construção. Cada cristão amorfo é um buraco na parede, cada pecado pessoal uma fenda que se abre, todo o escândalo um sismo que nos abala. “Veja cada um como constrói”.
Jesus deixou-se consumir pelo amor à casa do Pai: “devora-me o zelo pela tua casa”. Tomado por este zelo, entrou no templo para dele expulsar os que o tinham transformado em casa de ladrões. Este gesto profético terá contribuído para a sua condenação à morte.
Não se pode amar a Igreja senão de olhos abertos e com espírito crítico. É preciso amá-la aceitando as consequências de não fazer carreira com os que nela se portam como ladrões. Amar a Igreja na alegria e na tristeza, todos os dias da nossa vida, até que a morte nos una, com Cristo.