No evangelho deste XII Domingo Comum Jesus confronta os seus discípulos com uma pergunta fundamental:

“E vós, quem dizeis que Eu sou?” (Lc 9, 20). Sabemos que Ele não a fez por curiosidade, mas para poder purificar os conceitos que os seus discípulos tinham concebido acerca do Messias. De facto, ao longo da sua vida, Jesus vai-se revelando um Messias muito diferente do que o Povo esperava. Talvez os discípulos ainda imaginassem um Messias poderoso, espectacular, triunfante! No entanto, Ele apresenta-se-lhes pobre, discreto, humilde! Os próprios profetas, sobretudo Zacarias e Isaías, foram preparando o Povo para entender o verdadeiro messianismo de Jesus, como se pode ler, por exemplo, nos ‘cânticos do Servo sofredor’ (Is 50, 4-9; 53, 1-12). No entanto, as ambições humanas criaram dificuldades para que o Povo e os discípulos percebessem o projecto e a Palavra de Deus.

A pergunta que Jesus faz no evangelho é sempre actual. No nosso tempo ela coloca-nos diante das dúvidas e perguntas que tantas vezes se fazem acerca da veracidade e da historicidade de Jesus. Às vezes parece que vivemos numa sociedade esquizofrénica: tão depressa se acredita em promessas de políticos populistas, ou se faz ‘lei’ a partir de textos opinativos partilhados nas redes sociais, como, depois, se questionam factos históricos acreditados ao longo de séculos por multidões incontáveis! Também sobre Jesus se levantam muitas questões. Existiu? Quem foi? Que fez? A resposta da Igreja é clara: além das evidências extra-bíblicas que confirmam a existência de Jesus Cristo, como os relatos de historiadores judeus e romanos, a maior prova da sua veracidade é a durabilidade da sua mensagem! Quantos ídolos foram aparecendo e desaparecendo ao longo dos séculos?! No entanto, Jesus Cristo continua. A sua mensagem permanece actual, viva.

Às grandes questões sobre Jesus, a Igreja diz que Ele é o Messias esperado, o Filho de Deus feito homem, que morreu na cruz, mas ressuscitou e agora vive para sempre. No entanto, a pergunta que Jesus hoje nos coloca é muito mais pessoal do que comunitária. Ele espera uma resposta concreta de cada um dos seus discípulos. Uma resposta que brote do coração e seja reflexo da relação que se estabelece com Ele. Esta pergunta refere-se muito mais à dimensão da fé, do que à dimensão histórica. Até porque é possível ser um bom historiador, saber tudo acerca de Jesus, da Bíblia, da Igreja, mas não se ser crente. Ora, mais do que historiadores ou filósofos, Jesus quer-nos crentes,  discípulos, capazes de dizer como Pedro: ‘Tu és o Messias’! Jesus espera que lhe digamos: Tu és o meu Senhor! Tu és o tudo da minha vida!

Senhor Jesus, é bem diferente conhecer-te a partir de livros, ou a partir de uma vida de amizade. Nos livros é possível conhecer o teu passado e a tua história. Na amizade verdadeira contigo percebo que, afinal, és presente e estás próximo de mim. Tu não esperas de mim respostas teológicas, mas uma confiança filial. Só ela me permitirá dizer: Tu és o tudo da minha vida!
Amén.