Entre margens da Palavra

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Lc 6, 39-45.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
Com imagens, Jesus adverte os discípulos: antes de guiar e julgar os outros, importa identificar os próprios erros e aprender deles. Assim, a árvore revela-se pelo seu fruto.

2. O que me diz Deus
- Deixo-me interpelar pelas palavras de Jesus. Que experimento?
Quero guiar e corrigir os outros? Jesus diz-me que só o poderei fazer pela sabedoria: aprendendo d’Ele e conhecendo-me a mim mesmo, reconhecendo os meus erros, defeitos e fragilidades. Só depois, com humildade e misericórdia, saberei ajudar quem me rodeia. De outra maneira, os meus preconceitos sobre os outros revelam ser projeções das minhas próprias fragilidades. O bem ou o mal, que vejo fora de mim, denunciam o meu interior. Que árvore mostro ser? Muita folhagem para pouco fruto!?

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, com que facilidade reparo nas falhas dos outros. Com que desembaraço, os julgo e os corrijo. Como poderei ajudar os outros sem me conhecer a mim mesmo!? Querendo “ficar bem na fotografia”, não passo de um pretensioso cego. Pelas tuas palavras, desmascara-se a minha impostura. Tenho tanto a consertar em mim! Dá-me humildade e clarividência para ver a “trave” que ofusca o meu olhar.
Relembra-me que és Tu o Mestre. Como discípulo, preciso aprender de Ti. Não me deixes cair na tentação de esconder-me atrás das aparências. Antes, seja eu fecundo, dando os frutos, generosos e autênticos, reveladores da tua presença em mim e da minha fidelidade a Ti: viver as Bem-aventuranças, o amor ao inimigo, dar sem pedir nada em troca, não julgar nem condenar… como pedido nos últimos domingos.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, és a seiva do meu existir. Sem Ti, não dou bons frutos. No silêncio, agradeço e louvo. Contemplo e adoro.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Com que olhar vejo os outros?
- Tenho consciência das minhas “sombras” interiores?
- Que frutos produzem as minhas palavras, escolhas e atitudes?

UM PENSAMENTO
“Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las.” (Madre Teresa de Calcutá)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de produzir os frutos de Deus.

ARQUIVO & PODCAST
https://seminariointerdiocesanosj.pt

UMA ORAÇÃO-POEMA

Do fruto que sou, me dou.
Que transborda do coração!?
Meu olhar desvela no exterior
o interior e entravado sentir.
Hipócrita tendência pessoal:
reivindicar perfeição ao redor
descurando meu pensar e agir.
Espero o bem desejando o mal.

Silencio e apuro o que sou.
Por onde guiarei meu irmão
se não Te tiver por fundamento!?
Purificado o íntimo, convertido
desfolho-me agora em boa ação
revestindo-me do teu rebento
extraído do tesouro contido.
Do fruto que sou, assim me dou!