Quaresma 2024


Na mensagem para a Quaresma 2024, o Papa Francisco pediu novos modelos de desenvolvimento, denunciando a pobreza que atinge milhões de pessoas e a destruição da natureza.
No texto divulgado no dia 1 de Fevereiro, o Papa volta aos alertas contra a “globalização da indiferença”, que deixou na sua primeira viagem, à ilha italiana de Lampedusa, em 2023, com “duas perguntas, que se tornam cada vez mais atuais: ‘Onde estás?’ e ‘Onde está o teu irmão?’”, passagens do primeiro livro da Bíblia, o Génesis.
“Também hoje o grito de tantos irmãos e irmãs oprimidos chega ao céu. Perguntemo-nos: e chega também a nós? Mexe connosco? Comove-nos? Há muitos factores que nos afastam uns dos outros, negando a fraternidade que originariamente nos une”, pode ler-se.
A mensagem identifica “vínculos opressivos” que os cristãos têm de abandonar.
“Damo-nos conta disto, quando nos falta a esperança e vagueamos na vida como em terra desolada, sem uma terra prometida para a qual tendermos juntos”, advertiu.
“Desejo um mundo novo? E estou disposto a desligar-me dos compromissos com o velho? O testemunho de muitos irmãos bispos e dum grande número de agentes de paz e justiça convence-me cada vez mais de que aquilo que é preciso denunciar é um défice de esperança”.
O Papa lamenta que, num mundo com “níveis de progresso científico, técnico, cultural e jurídico capazes de garantir a todos a dignidade”, a humanidade viva ainda na “escuridão das desigualdades e dos conflitos”.
A mensagem aponta a Quaresma como “tempo de conversão, tempo de liberdade”.
“Deus não quer súbditos, mas filhos. O deserto é o espaço onde a nossa liberdade pode amadurecer numa decisão pessoal de não voltar a cair na escravidão. Na Quaresma, encontramos novos critérios de juízo e uma comunidade com a qual avançar por um caminho nunca percorrido”, sustenta o Papa Francisco.
“Enquanto os ídolos tornam mudos, cegos, surdos, imóveis aqueles que os servem, os pobres em espírito estão imediatamente disponíveis e prontos: uma força silenciosa de bem que cuida e sustenta o mundo”.
A Quaresma tem início com a celebração de Cinzas, este ano no dia 14 de Fevereiro, e é marcada por apelos ao jejum, partilha e penitência. Serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, que este ano acontece a 31 de Março.
“Não ter outros deuses é parar na presença de Deus, junto da carne do próximo. Por isso, oração, esmola e jejum não são três exercícios independentes, mas um único movimento de abertura, de esvaziamento: lancemos fora os ídolos que nos tornam pesados, fora os apegos que nos aprisionam”, conclui o Papa Francisco.