Homilia de D. Manuel Felício no dia de Ano Novo


“Nós continuamos a acreditar que a paz é possível, porque absolutamente necessária ao bem estar da humanidade e porque o próprio Deus não cessa de no-la oferecer” disse o Bispo da Guarda na Homilia da Missa de Ano Novo, que celebrou na Igreja de Nossa Senhora do Rosário, em Seia. Com o templo repleto de fiéis, D. Manuel Felício explicou que “a paz, tão desejada por todos os seres humanos, mas tão fragilizada pelos muitos erros de pessoas e grupos, continua a ser um bem essencial, embora escasso, um bem que só o esforço dos políticos e as estratégias deste mundo não conseguem realizar”.
No primeiro dia do ano, também Dia Mundial da Paz, o Bispo da Guarda tomou como referência a mensagem do Papa e referiu que “ao longo da história humana, houve períodos muito prolongados em que a escravatura de pessoas humanas era aceite e reconhecida pelas leis vigentes, como sendo um facto de direito. E essa situação histórica, mesmo nos países ditos evoluídos, passou pelo século das luzes, pois só no século XIX se deu por anulada a aceitação legal da escravatura no mundo livre, assim chamado”.
D. Manuel Felício lembrou que “hoje, na sequência de uma evolução positiva da consciência da humanidade, a escravatura foi formalmente abolida no mundo”. Seguindo a Mensagem do Papa, acrescentou: “Mas, apesar deste passo, altamente positivo na história da humanidade, ainda hoje há milhões de pessoas privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura”.
A seguir enumerou as novas formas de escravatura, nomeadamente: o trabalho em condições desumanas, a negação do direito ao trabalho, os migrantes enganados, a possibilidade de reclamar os direitos, a compra e venda de pessoas para fins de utilização de seus órgãos ou para comércio sexual, a situação de crianças maltratadas até à morte e de outras obrigadas a pegar em armas ou sequestradas para serem utilizadas como moeda de troca por grupos terroristas.
“Práticas como estas estão a acontecer em pleno século XXI e constituem por si mesmas desafio à consciência da humanidade, na medida em que significam, de facto, um retrocesso na caminhada civilizacional, feita principalmente nos últimos séculos, rumo à defesa sem condições da dignidade da pessoa humana”, explicou o Prelado.
D. Manuel Felício disse que “as pessoas têm de estar sempre em primeiro lugar, quando se trata de organizar a sociedade, a começar pelos processos económicos de produção e consumo”. E acrescentou: “precisamos de ver, nas nossas sociedades, com mais transparência, que a economia está sempre ao serviço das pessoas e nunca as pessoas instrumentalizadas pela economia, seja em que circunstâncias for”.
“Iniciamos o novo ano invocando a protecção de Nossa Senhora, na solenidade que lhe é dedicada de Santa Maria Mãe de Deus”, lembrou o Bispo da Guarda apontando a necessidade de “progredir na descoberta do Mistério do nosso Salvador Jesus Cristo com todas as suas implicações na construção da vida das pessoas e da própria sociedade”.
D. Manuel Felício recordou ainda que “o ano de 2015 é também o ano da realização do Sínodo Ordinário sobre a Família”.
“Que a bênção de Deus e a protecção de Nossa Senhora estejam com todos nós ao longo do novo ano que hoje começa” desejou o Bispo da Guarda.