A Catequese nas nossas paróquias

Contrariamente ao que todos desejávamos, a pandemia, que há 8 meses condiciona a nossa vida, apresenta sinais cada dia mais claros de não nos querer abandonar.Por isso, temos de saber conviver com ela, sem desistirmos de continuar empenhados nas diferentes formas de formação da Fé, nas nossas comunidades cristãs, entre as quais está, com expressiva visibilidade, a Catequese da Infância e da Adolescência.Na sua última Assembleia Plenária, realizada na semana passada, a Conferência Episcopal Portuguesa publicou uma nota com o título “Celebrar a Fé em tempos de pandemia”, onde apela ao esforço redobrado para que a catequese da infância e adolescência não seja interrompida, nestes tempos de pandemia. E esse esforço tem de ser, em primeiro lugar para, com apoio das famílias e o empenho de toda a comunidade cristã, sobretudo dos Párocos e dos Catequistas, se realizem as sessões presenciais de catequese, mesmo que sejam em tempos mais espaçados. E isto respeitando sempre as regras conhecidas para impedir a propagação do vírus, que as nossas comunidades cristãs já demonstraram ser capazes de compreender e aplicar, principalmente no caso das celebrações, o que é claramente reconhecido pelas próprias autoridades civis.Quando, porém, for de todo impossível realizar sessões de catequese presenciais, a nota da Conferência Episcopal apela aos catequistas para que “se mantenham em contacto com os catequizandos e suas famílias e que, grupo a grupo, vão avaliando as diferentes possibilidades de lhes proporcionarem o serviço da catequese”, por meios digitais ou outros.Apela também aos pais para que sejam estes, como primeiros catequistas, a transmitirem aos filhos a mensagem.De facto, é imperioso que os pais se responsabilizem por acompanhar os filhos, durante as eventuais sessões de catequese à distância, para os ajudarem a concentrar-se, para os esclarecerem sobre incompreensões e dúvidas que possam surgir. E sublinha-se na mesma nota que “sem este envolvimento das famílias, a catequese por meios digitais será uma ilusão”.Também no caso da Catequese da Infância e Adolescência o que está em causa é, em vez de cruzarmos os braços e nos sujeitarmos às imposições da pandemia, sabermos conviver com ela, defendendo-nos pelos meios já conhecidos e experimentados e procurarmos os caminhos possíveis para todos progredirmos e fazermos progredir outros na formação da Fé, neste caso, as nossas crianças e adolescentes.Como sabemos, sem formação a Fé não tem futuro.E também sentimos que as novas dificuldades impostas pela pandemia, trazendo-nos, embora, muitos constrangimentos e dificuldades acrescidas, são sinais de Deus que precisamos de saber interpretar e aplicar à nossa vida pessoal e comunitária, vendo neles indicadores dos caminhos do futuro.16.11.2020+Manuel R. Felício, Bispo da Guarda