DOMINGO IV DA QUARESMA
COM A CRUZ A CAMINHO DA PÁSCOA:


A meio da Caminhada Quaresmal, este quarto domingo é o DOMINGO DA ALEGRIA, por isso, a Palavra de Deus aponta-nos o olhar, a luz e a fé como fundamento desta alegria que nos vem do Amor de Deus.
Fazer caminho que leva à purificação dos sentimentos do coração, é entendermos o propósito deste tempo forte de preparação para celebrar a Alegria da Páscoa.
Por isso, a Palavra de Deus propõe-nos um olhar divino que não se fixa nas aparências, mas vai ao íntimo, isto é, ao Coração e assim temos o modo como Deus quer que olhemos a realidade do Homem, do mundo e da Igreja, aceitando a falta de visão que o pecado traz, mas procurando renovar sempre a visão da fé que a penitência e a contrição nos dão.
A primeira leitura ensina-nos como Deus escolhe os que coloca ao serviço dos outros, mesmo sendo o mais pequeno na condição humana, mas fortalecido pela graça para ser fiel à Sua vontade. O olhar humano do Profeta, ajuda a que Deus ensine a ver o íntimo e o coração, porque: “Deus não vê como o Homem; o Homem olha às aparências, o Senhor vê o coração.” Assim, é-nos proposto um aspeto em que neste tempo santo da quaresma podemos valorizar mais e esforçar-nos para a mudança necessária: dar importância à renovação no aspeto interior e não sobrevalorizar o aspeto exterior.
Só assim, com diz São Paulo na segunda leitura, conseguiremos “ser luz no Senhor”, vivendo como “filhos da luz que produzem os seus frutos: a Bondade, a Justiça e a Verdade”. Por isso, o apelo a que procuremos fazer o que agrada ao Senhor, tem como condição, o deixarmos de lado “as obras das trevas, que diz São Paulo, “até é vergonhoso dizê-lo, o que fazem em segredo”.
Assim o caminho quaresmal é árduo, no reconhecimento do pecado comunitário, mas possível de fazer na conversão individual que vai purificar a vivência comunitária e eclesial.
É nesta perspetiva que Jesus nos aponta o Seu ensinamento: “Enquanto estou no mundo, Sou a Luz do Mundo”. E a particularidade daquele Homem cego de nascença, é o ponto de partida, para desmistificar e descredibilizar o ensino farisaico da culpa própria ou de outrem da situação.
A vivência da quaresma requer de nós uma mudança, como aconteceu com este homem retratado no evangelho, da vista do corpo recuperada pela ação de Jesus, adquirir a vista da fé como dom da bondade de Jesus que lhe abre o coração ao conhecimento do Filho de Deus. Se a mudança realizada, transformou de tal forma este homem que até os próprios vizinhos e conhecidos tinham dificuldade em reconhecer, vai ainda mais longe quando diz aos Fariseus: “Isto é realmente estranho: não sabeis de ode Ele é, mas a verdade é que Ele me deu a vista. Ora, nós sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aqueles que O adoram e fazem a Sua vontade. Se Ele não viesse de Deus, nada podia fazer”. (Jo, 9, 30-33)
Assim a fé professada n’Aquele que lhe deu a vista, transforma-se em dom de Deus quando diz a Jesus: “Senhor, quem é Ele, para que eu acredite?” ao saber quem é, toma a atitude de humildade e aceitação, prostra-se diante d’Aquele por quem faz a sua profissão de fé: “EU CREIO, SENHOR”.
Que a nossa frágil e humilde fé seja fortalecida neste tempo quaresmal, para reconhecermos que Deus sempre nos dá, mais do que pedimos, esperando de nós o empenho no caminho diário de fazermos a Sua vontade.