DOMINGO I DA QUARESMA


O segundo domingo do tempo da quaresma apresenta-nos propostas de reflexão que partem do exemplo de Fé de Abrão e da Transfiguração de Jesus no monte, para que o nosso caminho quaresmal tenha na fé e na transfiguração o sentido mais profundo para chegar à Páscoa da Ressurreição.
Assim, na primeira leitura encontramos na figura de Abrão, a pessoa escolhida por Deus, para que os desafios da fé sejam lançados à nova humanidade. A Promessa feita a Abrão, “farei de ti uma grande nação e serás uma bênção”, inclui em si a certeza da presença de Deus no meio do Seu povo. Por isso, a atitude de fé e de confiança por parte de Abraão, revela o desígnio dos que haviam de confiar e acreditar em Deus nas gerações futuras.
Abraão é o primeiro dos crentes, porque acredita na Palavra que Deus lhe dirigiu e confiou incondicionalmente na Sua vontade. Hoje todos os que acreditam e vivem a fé são considerados descendestes de Abraão e membros deste Povo universal.
Como o chamamento de Deus a Abraão requer deste uma resposta reveladora da sua fé e confiança, também São Paulo na segunda leitura diz a Timóteo que com ele deve sofrer pelo Evangelho, apoiado na força de Deus.
Por isso, recorda que somos chamados à santidade, não em virtude do nosso esforço, mas da Sua própria vontade e da Sua graça. Cristo Jesus alcançou-nos a Salvação porque destruiu a morte e a Luz da vida brilha na pessoa de cada crente que vive o Evangelho.
É a proximidade com o mistério pascal, que faz com que o acontecimento da Transfiguração, descrita pelo evangelista São Mateus, prepara os seus discípulos para os momentos de fraqueza e de derrota, na perspetiva humana, no alto do Calvário.
Assim, Jesus toma Pedro, Tiago e João, sobe ao monte e transfigura-se diante deles. Como nos caminhos da nossa existência humana, também o caminho para o monte feito pelos três discípulos, de certo que não foi fácil, mas continha em si a esperança de chegar ao alto. É depois das dificuldades do caminho, que Jesus mostra a Sua glória, por meio da Sua transfiguração e que provoca nos discípulos uma sensação de bem-estar.
A luminosidade e a brancura descritas pelo evangelista, no rosto e nas vestes de Jesus apontam para algo transcendental e as figuras de Moisés e Elias marcam a ligação do antes e do depois do transfigurado, como acontecimento contínuo na História da Salvação.
Por isso, a voz que veio da nuvem confirmava a filiação divina de Jesus e apontava o caminho a seguir pelos discípulos – Escutai-O. Tudo isto levou os discípulos a revelar a sua fragilidade “… caíram de rosto por terra e assustaram-se muito”, sendo necessário o próprio Jesus despertá-los para a realidade e fortalece-los no seu temor.
Assim, no caminho quaresmal, o acontecimento da transfiguração, neste segundo domingo, tem em si vários ensinamentos para todos nós: - A luz e a brancura que, a graça de Deus reflete em nós; - A História da Salvação é algo contínuo entre o antes e o depois de Cristo; - A Missão confiada aos discípulos de hoje é a mesma que foi confiada as discípulos no passado, escutar a filho de Deus e não temer as dificuldades do ser discípulo; - É a Ressurreição que ilumina todos os acontecimentos que fazem parte do Plano Salvífico de Deus para a Humanidade.
Assumir e abraçar a nossa Cruz, é a condição para que a Transfiguração aconteça na nossa vida: A cruz leva à transfiguração e a transfiguração ilumina a cruz.