DOMINGO DE RAMOS NA PAIXÃO DO SENHOR


Neste Domingo de Ramos na Paixão do Senhor, somos convidados a participar na memória da Entrada Triunfal de Jesus em Jerusalém e a acompanhar através da narração os passos da condenação, paixão e morte de Jesus no alto do Calvário.
Nestes dois momentos celebrativos, encontramos a concretização da Missão do Filho Unigénito, que Deus-Pai Lhe tinha confiado: Aquele que vem em nome do Senhor, segue o caminho da Cruz, para que pelo sangue derramado alcance a Salvação dos Homens.
A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, recordada pela Bênção dos Ramos e a aclamação d’Aquele que é bendito porque vem em Nome do Senhor, é o momento em que o Messias estando na cidade santa, concretiza a vontade salvífica de Deus, “obedecendo até à morte e morte de cruz”.
Assim a primeira parte desta celebração envolve-nos no caminho com a multidão que aclama e bendiz com gestos e palavras “O que vem em nome do Senhor”, introduzindo-nos na segunda parte marcada profundamente pela Narração da Paixão segundo São Mateus.
É nesta liturgia da Palavra que a primeira leitura tirada do Livro de Isaías, nos aponta o “Servo de Deus” que tem a “graça de saber dizer uma palavra de alento aos que andam abatidos” (Is 50, 4), mas também a firmeza de cumprir a vontade de Deus:” Não resisti nem recuei um passo, e Ele veio em meu auxílio”.
Por isso, o Servo sofredor, o que faz a vontade de Deus, retratado também no Salmo litúrgico, em que aponta os sofrimentos, a humilhação e o despojamento como vivência da obediência com a súplica insistente do auxílio necessário.
É nessa perspetiva que São Paulo nos lembra na segunda leitura a condição divina de Cristo Jesus e a sua obediência para alcançar a Salvação, que Lhe confere a exaltação, a sublimidade e a universalidade da condição de Senhor.
A Narração da Paixão do Senhor, começa pela figura de Judas Iscariotes, disposto a entregar Jesus em troca de dinheiro. É com a perspetiva judaica, das Sagradas Escrituras, que São Mateus, faz ver aos seus destinatários, aquilo que são as profecias feitas, os episódios anunciados, as passagens citadas e a concretização da morte do inocente que não foi reconhecido por eles como o Messias, o Filho de Deus.
Com a leitura da Narração da Paixão, nós somos levados a acompanhar todos os passos, desde a Última Ceia até à Morte e Sepultura de Jesus, envolvendo-nos nos momentos vividos e quantas vezes angustiados por tudo aquilo que é feito a Jesus inocente.
Marcada a celebração da Páscoa Judaica, na Última Ceia com os discípulos, é aí que nasce a presença real na Eucaristia: “tomai e comei, isto é o meu corpo … tomai e bebei este é o meu sangue”. Assim à volta da mesa, anuncia a traição que vai sofrer e aponta depois a Pedro, que a certeza das suas palavras vai ser desmentida pelo cantar do galo. Segue-se a agonia no jardim das oliveiras, onde a figura dos discípulos que dormem e a chamada de atenção para a vigilância, nos fazem lembrar hoje, a nossa condição de discípulos. O beijo frio da traição que entrega Jesus aos Judeus, como se fosse um salteador, sendo levado junto das autoridades religiosas e civis, diante dos quais vai marcando com o silêncio e a anuência da condição divina e da sua realeza.
É na postura de Pilatos, qua a multidão pede a crucifixão e lhes é entregue num jogo de escárnio e maldizer, mas no caminho para o Calvário, teve o auxílio de um homem chamado Simão e que era de Cirene. Chegados ao Calvário, aí O crucificaram entre dois malfeitores e foi mais uma vez motivo de chacota e de troça, mas ao soltar o último clamor e no fim de expirar, há quem o reconheça como Filho de Deus. Os poucos que ficaram até ao fim deram-Lhe sepultura, num tumulo novo. E ficou no ar a novidade do terceiro dia.