Na Festa da Sagrada Família – 26 de Dezembro

O Papa publicou, no Domingo, 26 de Dezembro, uma carta para os casais de todo o mundo, aludindo aos vários impactos da pandemia e dos confinamentos, com uma mensagem de “proximidade”, particularmente a quem viveu momentos de perda e separação.“Vivemos enormemente a incerteza, a solidão, a perda de entes queridos e fomos impelidos a sair das nossas seguranças, dos nossos espaços de controlo, da nossa forma de fazer as coisas, das nossas ambições, para nos interessarmos não apenas pelo bem da nossa família, mas também pelo da sociedade, que depende igualmente do nosso comportamento pessoal”, refere o documento, divulgado pelo Vaticano, na festa litúrgica da Sagrada Família, 26 de Dezembro de 2021 (primeiro domingo depois do Natal).O Papa Francisco assinala o primeiro aniversário da proclamação do ano especial ‘Família Amoris Laetitia’, iniciativa que teve início na solenidade de São José deste ano (19 de Março de 2021) e decorre até à celebração do X Encontro Mundial das Famílias, em Roma, que tem lugar a 26 de Junho de 2022.“Sempre tive presente as famílias nas minhas orações, mas mais ainda durante a pandemia que colocou todos duramente à prova, sobretudo os mais vulneráveis. O momento que estamos a atravessar leva-me a aproximar, com humildade, estima e compreensão, de toda a pessoa, casal e família na sua situação concreta”, escreve.O Papa convida a reflectir sobre algumas “dificuldades e oportunidades” que as famílias têm vivido neste tempo de pandemia, em que passaram mais tempo juntas, “proporcionando uma oportunidade única para cultivar o diálogo em família”.“Obviamente isto requer um exercício especial de paciência; não é fácil estar juntos o dia todo, quando se tem que trabalhar, estudar, divertir-se e descansar na mesma casa”, acrescenta.O Papa Francisco deseja que esta oportunidade de estar juntos seja “um refúgio no meio das tempestades” e que a família seja “um lugar de acolhimento e compreensão”.A carta admite que, para muitos casais, a convivência durante estes confinamentos foi “particularmente difícil”, com “discussões e feridas”, chegando até à “rotura da relação”, nalguns casos.O Papa Francisco deixa um apelo ao “perdão”, sublinhando que Deus acompanha e ama “incondicionalmente” todas as pessoas.“As diferentes situações da vida – a idade que vai passando, a chegada dos filhos, o trabalho, as doenças – são circunstâncias em que o compromisso mutuamente assumido obriga cada um a abandonar a própria inércia, as certezas, os espaços de tranquilidade para sair rumo à terra que Deus promete”, refere aos casais católicos.O Papa deixa uma reflexão sobre a importância da paternidade e da maternidade, da autoridade e da educação dos filhos, desafiando as famílias a “colaborar na Igreja”.“Compete às famílias o desafio de lançar pontes entre as gerações para a transmissão dos valores que constroem a humanidade. É necessária uma nova criatividade para expressar, nos desafios atuais, os valores que nos constituem como povo nas nossas sociedades, e como Povo de Deus na Igreja”, explica.O Papa Francisco encoraja os jovens que se preparam para o casamento, num momento de dificuldades por causa da pandemia, em que “aumenta ainda mais a incerteza laboral”, e aos avós que sofreram com o isolamento, longe dos netos.o Papa anunciou a publicação desta carta, como “presente de Natal” para os casais e sinal de “proximidade”, depois da recitação do ângelus, no Domingo, 26 de Dezembro.