0. PreparaçãoProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal.

Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.1. LeituraLeio pausadamente o Evangelho Mt 5, 38-48.- Procuro compreender o texto. Recordo os versículos anteriores (ver o passado domingo) pois formam uma unidade com a passagem de hoje.- Alcanço a mensagem, hoje para mim. O que me diz, o que me faz sentir?- Sublinho o importante; fixo o essencial. Esta Palavra é-me dirigida.2. MeditaçãoJesus continua a expor a “nova justiça” do Reino, no fulcral “Sermão da Montanha”. É a visão cristã da “Lei e dos Profetas”. Tal como no passado domingo, Ele desafia-me a não repousar em certezas e práticas correntes: “foi dito…, Eu porém digo-vos…”. É sempre possível ir mais além, fazer melhor. É o que exige o amor. Só assim, ao jeito de Jesus, serei “filho do Pai que está nos Céus”, única referência de santidade.3. Oração com DeusSenhor, hoje, ousas pedir-me a perfeição.Sou tentado a interpretar as tuas palavras como mera força de expressão, uma estratégia retórica para despertar apáticos. Mas os verbos que usas são reveladores de decisão e ação inequívocas: oferece, deixa, acompanha, dá, ama. Sempre a favor daquele que cruza o meu caminho, sem nunca desistir dele. Por isso, perante um adversário, acrescentas: não resistas, não voltes as costas…Entendo que o bem deva ser feito. E bem feito. Porém, calar-me diante do mal e da injustiça, oferecer a outra face, não será covardia, falta de carácter!? Assim, o mal parece vencer.Mas Tu, Senhor, conheces o coração humano. Sabes todo o poder que o mal assume em mim se não for quebrada a sua corrente. Não me pedes para ser indiferente e passivo. Bem pelo contrário. Desafias-me à originalidade, a tomar a iniciativa do bem, a não ceder à tentação de vingar o mal, reforçando-o. De vítima, passaria a cúmplice. E não existe pior veneno que uma ferida convertida em ressentimento.Dizes-me que só o amor cura e liberta. É tudo quanto preciso. Senhor, ajuda-me a aprender de Ti, a não poupar no amor. Ensina-me o caminho da misericórdia, tornando visível o quanto também eu sou “filho do Pai”. Como Tu.4. ContemplaçãoDiante de Ti, Senhor, apresento-me e abandono-me nas tuas mãos. Louvo e agradeço a tua misericórdia para comigo. Tu és a perfeição do amor em mim. Cura, no meu coração, todas as mágoas. Transforma-as em amor e perdão. Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Em Ti confio. Contemplo e adoro. Apoiado em Ti, ouso comprometer-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
Um pensamento - “Para que o mal triunfe basta que os bons não façam nada” (Edmund Burke)
Provocações - Catalogo os outros em bons e maus, pessoas a amar ou desprezar?- Perante o mal, a minha reação reforça-o ou desarma-o?- Que faço para deixar os outros melhores do que são?- Tomo a iniciativa do bem ou espero ser interpelado(a)?
Um propósito - Pedir ao Espírito Santo a graça de ser ativo no bem.
Uma oração poemaComo poderei eu, imperfeitoAssemelhar-me ao Perfeito,Tendo a perfeita imperfeiçãoPor natural essência e feição?
Como calar o mal e sua pegadaSe olhos e dentes não cobrar?Para Ti, Senhor, toda a injustiçaÉ chão estéril de acorrentados.
O mal, afinal, é um vazio de bemQue clama por recheio de amor,Pedinte de uma outra face, a TuaNa minha, oferecida, aperfeiçoada.