Esta semana escutamos um pequeno diálogo de Jesus com Marta,

irmã de Maria e de Lázaro, os amigos de Betânia. É curioso não haver menção a Lázaro. Parece que o evangelista quer realçar precisamente o papel daquelas duas mulheres, e convidar as suas comunidades a ultrapassar certos preconceitos antigos, irracionais, e até pagãos, que desprezavam a mulher. Marta e Maria ocupam, nesta página do Evangelho, um lugar central. Elas não são apenas duas irmãs. Nem representam apenas as mulheres do seu tempo. Podemos dizer que são também símbolo de duas formas de acolher Jesus. Marta, atenta e serviçal, inquieta-se e preocupa-se por servir o Mestre (Lc 10, 40). Não quer que Lhe falte nada. Maria, discreta e tranquila, senta-se aos pés de Jesus para O escutar (v. 39). Não quer perder nada d’Ele. Ambas, cada uma à sua maneira, acolheram Jesus. Mas qual delas O acolheu melhor?

Marta pôs em prática o que Jesus ensinava na semana passada, a propósito da parábola do bom samaritano. Dedicou-se generosamente ao serviço do próximo. E abriu a sua casa para acolher Jesus. Maria, por sua vez, sentada aos pés de Jesus, dedicou-Lhe os ouvidos e o coração. Abriu-se ela própria para receber a Sua palavra. Marta prestou atenção às necessidades materiais de Jesus. Maria deu-Lhe atenção dialogal e relacional. Uma acolheu Jesus nos gestos. A outra no diálogo. Uma acolheu Jesus na acção. A outra na intimidade. Qual merece maior destaque? Nenhuma. O destaque é de Jesus! É para Ele que, tanto uma como a outra, canalizam a atenção. Maria escolheu a melhor parte, porque é a intimidade com o Senhor que, depois, leva à acção. É a escuta atenta do que Ele nos diz, que depois nos leva a agir por Cristo, com Cristo e em Cristo!

Às vezes parece que, na Igreja, também nós andamos inquietos e preocupados com muitas coisas e afazeres! Preocupamo-nos em fazer planos pastorais, em estar em todo o lado e em corresponder a todas as expectativas. É como se tudo dependesse do nosso trabalho, ou a salvação dependesse de nós. Às vezes gastamo-nos a correr. E não percebemos que na acção pastoral é fundamental parar, como Maria, aos pés de Jesus, para O escutar. Esquecemos que a salvação depende d’Ele. Esquecemos que a nossa acção deve partir da intimidade com Jesus. É evidente que são necessários muitos trabalhos. Mas desenraizados n’Ele não passarão de activismos desenfreados, aparências vazias, acções inconsequentes. E não vamos à fonte saciar a nossa sede, convencidos, quiçá, de que somos nós a água que mata a sede! Não é possível uma acção em nome de Deus, e por Deus, se esta não tiver sido alimentada n’Ele.


Senhor Jesus, ajuda-me a evitar correrias e activismos estéreis. Para isso dá-me a capacidade de imitar estas duas mulheres. Como Marta quero abrir a minha casa e ser mais acolhedor, atento e serviçal. Como Maria quero abrir-me eu próprio à Tua palavra e enraizar-me em Ti. Quero alimentar-me em Ti, para melhor agir por Ti.
Amén