Entre margens da Palavra

0. Preparo-me
Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Lc 6, 27-38.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
Jesus dirige-se a todos os que O escutam. Desafia-os a um amor maior, concretizado em atitudes, até “Amar os inimigos”. O objetivo é ser misericordioso, como Deus.

2. O que me diz Deus
- Deixo-me interpelar pelas palavras de Jesus. Que experimento?
Amar os inimigos, segundo Jesus, não é opcional. É uma ordem. Para Ele, o amor não tem medida: é ilimitado. Tampouco é seletivo: não me posso contentar em estimar os que me amam. Como amar os que me ferem!? A referência não é o (de)mérito do “inimigo”, mas a misericórdia que já beneficio de Deus. D’Ele, recebo o perdão, apesar das minhas repetidas faltas. Por isso, não devo replicar o mal, mas estender ao outro o bem que desejo para mim. Vingar é fraqueza. Perdoar (libertar-me do rancor) é força.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, não estarás a pedir demais!? Ser bem-aventurado por sofrer, com paciência, as dificuldades e as afrontas, entendo. À luz do teu Evangelho, aceito. Mas, amar quem me ofende e explora… Meu desejo, tantas vezes, é responder com a mesma moeda. Mas é precisamente isso que queres evitar. E só o amor detém e converte o mal em bem. Dá-me a capacidade de expandir, à minha volta, o bem que quero para mim.
Queres-me liberto de toda a mágoa, pois esta tende a converter-se em rancor. Não me pedes que esqueça, mas que ative a minha capacidade de amar, para além do óbvio, além do meu círculo de amigos. Para Ti, o amor nunca se reduz a um sentimento. É uma opção, livre e deliberada. É a resposta necessária, por vezes única, perante o mal.
Senhor, torna-me misericordioso com os outros, tal como o Pai o é para comigo.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, fonte de toda a misericórdia, teu amor é desmedidamente infinito. Nele encontro a ousadia de amar. Grato, louvo e contemplo.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- Até onde (a quem/quantos) chega o meu amor?
- Que faço das minhas mágoas? Que fazem elas de mim?
- Que medida (referência) uso com os outros?

UM PENSAMENTO
“Dentro do amor não há erro, não há injustiça, não há ódio, não há ressentimentos guardados. Dentro do amor só há encontro, perdão, verdade.” (Santo Agostinho)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de um amor maior que toda a mágoa.

ARQUIVO & PODCAST
https://seminariointerdiocesanosj.pt

UMA ORAÇÃO-POEMA

Amar além do meu reflexo,
além do mundo que abraço
e dos sonhos que têm nexo.
Amar bem mais além…

Amar além do que dá sabor
do que, no desejo, traço
aquém da fronteira da dor.
Amar além do próprio bem…

Amar além de toda a ferida
no perdão pelo qual renasço
e recusar-me à despedida
do perdido irmão: Sumo-Bem!

Amar, como Tu, simplesmente,
e dilatar-me, desmedidamente.