AMADURECER A FÉ

0. Preparo-meProcuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.
1. O que diz o texto- Leio pausadamente o Evangelho Mt 16, 21-27.- Sublinho o importante; anoto o mais significativo.Jesus anuncia aos discípulos a sua futura paixão. Pedro protesta, desaconselhando tal desfecho. A ríspida resposta de Jesus devolve Pedro ao seu devido lugar: como discípulo, deve redefinir opções e aprender do Mestre a renúncia e tomar a cruz.
2. O que me diz Deus- Imagino-me entre os discípulos. Como reajo as palavras de Jesus? O que sinto? Jesus “começou a explicar”. É uma mudança de rumo que leva à concretização da missão, em Jerusalém. Este novo ensinamento perturba e contrasta com o entusiasmo dos milagres. De forma muito clara, Jesus diz-me para o que veio e indica-me qual o caminho a percorrer. Não se é discípulo seu, nutrindo ilusões e enganos: não existe Cristo sem cruz. Não basta proclamar Jesus como “Cristo, Filho de Deus vivo” (domingo passado). O Mestre desafia a identificar-me com Ele, vencendo a cruz pela força do Amor. A renúncia é ao medo e às falsas seguranças para, depois, segui-l’O.3. O que digo a Deus- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).Senhor, como Pedro, reajo ao mínimo indício de sofrimento no meu horizonte. Quereria, como ele, sugerir-te alternativas mais “razoáveis”. Quantas vezes, me julgo teu conselheiro!? Pretendo ser, como se diz agora, um “influenciador”. Esqueço a minha condição de discípulo. Que poderia eu ensinar-Te, ó Omnisciente? Não sou eu o aprendiz!? A repugnância da cruz diz o quanto tenho ainda de aprender…Senhor, não seja eu “pedra de tropeço” à tua vontade, nem escândalo para os que sofrem aflições bem maiores. Ajuda-me a aprender de Ti. Ilumina meu olhar para ver além da cruz: encará-la sem dolorismo, mas com a força da fé. Mais que obstáculo, veja eu nela um degrau para chegar mais alto, mais longe. Como Tu, não seja ela a vergar-me, mas um Amor maior a responder-lhe. Renunciando ao comodismo, atrás de Ti, como convém ao discípulo, seguir-Te-ei. E, juntos, venceremos a cruz!4. O que a Palavra faz em mim- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.Senhor, Tu estás no meu caminho, bem presente. É conTigo que quero levar e vencer a minha cruz. Pela força do teu Amor, não temo perder-me. Seguindo-Te, faço a aposta certa. Contemplando-Te, louvo, agradeço e adoro.Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.
Um pensamento - “Esquece que existes quando dizes que amas.” (Jan Twardowski)
Provocações - Perante a cruz, fujo ou creio?- Como Pedro, pretendo “ensinar” Deus?- Como discípulo, aprendo de Cristo e da sua Palavra?- Quero progredir na fé ou sonho com vida fácil?
Um desafio - Pedir ao Espírito Santo a graça de encarar a minha cruz com fé.
Uma oração poema(eu)Não vás pela cruz, Pois não ousarei seguir-Te.Sofrer, vergar e quebrarDeixado só e mal-amado…É morrer antes da morte.Saberás salvar-me na sombra?Deus Te livre de tal, Senhor!
(TU)Não se vencem batalhasVirando costas ao inimigo.Este tem vulto de medo,Confunde sentidos e rumos.Por não seres centro, sai de ti.Vem atrás de Mim, aprendizE Eu, Deus, livrar-te-ei pela cruz.