Vigiai, preparai, alegrai-vos… São três verbos, três imperativos, que a esta altura do tempo do Advento teremos de interiorizar e cumprir

, se de verdade queremos que este período forte de espera e preparação para o Natal do Senhor não transcorra em vão. Depois de nos ser pedida a vigilância atenta para captarmos a presença de Jesus que veio, que vem e que virá, depois de nos ser recordada a necessidade de prepararmos um caminho espiritual para que Ele venha ao nosso coração e à nossa vida, eis agora a exortação à alegria, alegria que nasce desta certeza: “no meio de vós está Alguém….”
“Vivei sempre alegres”, pede S. Paulo na segunda leitura. Muitas vezes o apóstolo se refere à alegria cristã, dizendo que ela nasce da fé, está associada com a esperança, é característica do Reino de Deus e é fruto do Espírito Santo, consequência da sua presença em nós. A alegria, por isso, tem de ser um traço distintivo dos cristãos.
Também o profeta Isaías dá testemunho desta alegria e assim a justifica: “Exulto de alegria no Senhor, a minha alma rejubila no meu Deus, porque me revestiu com as vestes da salvação e me envolveu num manto de justiça”. A razão da alegria é que o Senhor nos revestiu de salvação e de justiça. A raiz da alegria cristã está no Senhor, porque ao enviar-nos como Salvador o seu Filho, n’Ele nos justificou e salvou. Vivamos, portanto, com rosto de gente salva, um rosto que seja expressão do coração agradecido por todos os dons que em Jesus recebemos. Faz sentido, por isso, fazermos nossas as palavras de Maria: “o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.
Não por acaso, o Papa Francisco intitulou “A alegria do Evangelho” a sua primeira Exortação Apostólica. Se o Evangelho é a Boa Notícia de que em Jesus fomos salvos do pecado e da morte, se aí nos é revelada a verdade sobre Deus e o modo correcto de vivermos como filhos de Deus, a consequência lógica para quem conhece o Evangelho é ser alegre! E quem o anuncia, não o pode fazer com “cara de funeral”.
Com actos e palavras misteriosas João Baptista deu testemunho de Cristo: “no meio de vós está Alguém que não conheceis”. E, no entanto, podia continuar a dizer isto hoje: “No meio de Vós está Jesus Cristo… Alguém que não conheceis” É verdade que hoje os nossos contemporâneos O não conhecem. Nem mesmo os cristãos O conhecemos!  
A sociedade, aliada com a falta de garra e de testemunho de muitos cristãos, fez com que Jesus, embora estando nom meio de nós, se tornasse um Desconhecido. Mesmo numa festa que nasceu por causa dele, o Natal, deixássemos que O escondessem, que pouco a pouco fosse desaparecendo, até o Natal ser reduzido a uma época de partilha de bons sentimentos e de presentes vazios de simbolismo, histórias bonitas para contar a crianças.
O Advento é o tempo para pararmos e ver o que queremos fazer do Natal. É tempo para voltarmos a redescobrir a fonte da nossa alegria: “esta no meio de vós Alguém”! Tempo de reassumirmos o dever do qual nenhum cristão se pode demitir: Testemunhar que Aquele Alguém que não conheceis é Jesus Cristo, o Salvador do mundo, a razão última pela qual “exulto de alegria!”