DOMINGO IV DO ADVENTO


A Liturgia da Palavra deste IV domingo do tempo do Advento, coloca diante de nós a diferença entre a vontade do Homem e os desígnios e a vontade de Deus. Assim fica claro que os projetos dos homens são incorporados nos projetos de Deus e não o contrário, não são os projetos de Deus que se devem submeter aos projetos dos homens.
Por isso, nos planos de Deus, a construção de uma habitação para morar, não tinha a visão do homem, de uma casa, um templo, mas de uma pessoa, uma descendência.
A primeira leitura apresenta-nos assim, a vontade de David, na construção de um templo, uma casa, para que a Arca da Aliança, sinal da presença de Deus no meio do seu povo, pudesse ficar, vontade essa revelada ao profeta Natã.
Mas Deus faz saber a David, pelo profeta, que os planos são outros e passa a explica-los: “É o próprio Deus que primeiro quer, contruir e consolidar uma “casa” para David e uma descendência consolidada, para que o povo tenha uma identidade própria e a futura “habitação” de Deus seja da descendência de David. Assim o diz o texto da primeira leitura no último versículo: “A tua casa e o teu reino permanecerão diante de Mim eternamente e o teu reino será firme para sempre”.
Por isso, no evangelho, o Arcanjo Gabriel, para tranquilizar Maria, nas promessas que lhe faz relembra todo este plano de Deus: “Não Temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono do seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o Seu reinado não terá fim”.
Assim aquela que foi escolhida e preparada para ser digna morada do Filho Unigénito de Deus, é aquela que aceita integrar os planos de Deus e diz o “Sim” numa atitude ímpar de confiança plena à vontade de Deus. Ela torna-se assim a perfeita colaboradora do projeto de Deus.
Maria é pois, para todos nós, este exemplo de humildade que hoje se está a perder como pilar do entendimento e da aceitação mútua. Recordamos a este propósito o que diz o Papa Francisco da atitude de Maria: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra”. É esta resposta breve que não fala de glória, de privilégios, mas somente de disponibilidade e de serviço. Maria não se exalta diante da perspetiva de se tornar até a mãe do Messias, mas permanece modesta e expressa a própria adesão ao projeto do Senhor. Maria não se orgulha. É humilde e modesta, mantém-se como sempre. É deveras humilde e não procura vangloriar-se. Reconhece que é pequena aos olhos de Deus, e sente-se feliz por ser assim.
São Paulo na segunda leitura, dá graças a Deus porque o mistério por excelência foi revelado no nascimento do menino Deus, o acesso à Salvação dos pagãos, isto é, a Salvação ao alcance de todos.

Breves notas sobre os textos
dos evangelhos da missa da meia noite e do dia, no Natal do Senhor
“Completaram-se os dias de Maria dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura”. Com este versículo o evangelista São Lucas leva-nos ao coração daquela noite santa: Maria deu à luz, Maria deu-nos a Luz. Uma narração simples para nos entranhar no acontecimento que muda para sempre a nossa História. Tudo naquela noite se tornava fonte de Esperança.
Se para alguém o Natal é todos os dias, como frequentemente se diz, é para nós, os Cristãos. É natal todos os dias porque o Emanuel é Deus que está connosco, que permanece e que funda as nossas vidas.
“O Verbo fez-se carne e habitou entre nós”, não temporariamente, mas para sempre, desde que haja lugar para Ele na hospedaria que é o nosso coração sedento de graça e de verdade, ansioso por receber “a Luz verdadeira que, vindo ao mundo, ilumina todo o Homem”.
Viver o Natal todos os dias significa estar com Jesus, o Cristo e Filho de Deus, todos os dias fazer d’Ele o alimento da fé, a força do Amor que nos move e a razão da nossa Esperança.