DOMINGO III DA QUARESMA
COM A CRUZ A CAMINHO
DA PÁSCOA:


Neste terceiro domingo do tempo da Quaresma, a Palavra de Deus dá-nos a entender que só procura a fonte quem tem sede, e esta, pode revelar a sede de outra água de que não se tem conhecimento.
Assim, o Povo de Deus, liberto da escravidão do Egipto, diz-nos a primeira leitura que estava atormentado pela sede. Num lugar como o deserto, onde a água é escassíssima, a sede provoca reações primárias movidas pela necessidade básica do organismo humano, que impede a clarividência e motiva o descontentamento. Foi este descontentamento que Moisés ouviu do Povo e que levou a interceder junto de Deus.
O Povo a caminho da Terra Prometida, “a terra onde corre leite e mel”, perde a noção do lugar para onde vai para se deixar tolher pela sede que desvaloriza todos os maus tratos do Egipto, pela lembrança da água que tinham para beber.
Mas Deus tem paciência e amor pelo Seu Povo e através de Moisés faz sair água do Rochedo, para lhes saciar a sede, fazendo-os perceber que Ele está no meio deles.
Hoje somos nós o Povo de Deus, e quantas vezes esquecemos o Bem Maior que nos foi dado, para exigirmos respostas para uma situação mais dolorosa que possivelmente estamos a passar.
Ora a Segunda Leitura diz-nos que Jesus Cristo morreu por nós quando éramos ainda pecadores e que por isso devemos entender este facto como sinal do Amor de Deus para connosco. É nesta prova de Amor que todos nós devemos encontrar sentido para este Caminho Quaresmal, ainda que seja necessário carregar com a nossa cruz com confiança n’Aquele que fez da nossa a Sua Cruz.
Fazer o Caminho Quaresmal só tem sentido, na mesma medida que só procura água quem sente sede. De certo que hoje, a realidade mostra-nos esta falta de procura da água, é reveladora da falta da sede mais profunda na condição humana. Procuro satisfazer a sede do corpo, mas não sinto necessidade da água para matar a sede espiritual.
Neste contexto atual, encontramos no Evangelho, onde Jesus pede água para matar a sede do corpo, para depois revelar que tem uma água viva que mata a sede espiritual. Assim, o Evangelho diz-nos que Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar e que se senta à beira do Poço de Jacob, numa hora em não seria muito conveniente para alguém ir busca água. Mas é a essa hora que vem uma mulher da Samaria para tirar água.
O diálogo de Jesus com a Samaritana tem início num pedido: “dá-Me de beber”. Neste tempo quaresmal somos chamados a estar atentos, para ver, se quem fez o pedido à Samaritana, não o faz também a cada um de nós. Porque Jesus ao pedir de beber, oferece também a água viva que sacia a outra sede e que se transforma em nós em fonte que jorra para a vida eterna. Quantas vezes nos distraímos a pensar no acessório «nem sequer tens um balde» e não damos conta do essencial – A Água Viva. A Samaritana, vai abrindo o coração Àquele que lhe dá a conhecer a sua vida e aceitando a sua Palavra: “o Messias: Sou Eu que estou a falar contigo.” Torna-se então Portadora desta Boa Nova – O Messias, o Cristo está no meio de nós, e faz com que os seus conterrâneos se encontrem com Ele e também o reconheçam como o Salvador do mundo.
Assim conseguimos olhar numa perspetiva diferente a proposta quaresmal de conversão, de renovação e mudança interior, porque só sentindo necessidade de mudança é que vamos à procura dela ou deixamos que a Palavra de Deus e o encontro pessoal com Cristo crie em nós essa mesma necessidade.