No evangelho deste Domingo encontramos um texto que salienta o papel missionário dos discípulos de Jesus.

À semelhança do que tinha feito pouco tempo antes com os doze apóstolos, Jesus envia, agora, um grupo maior, de setenta e dois discípulos. Também já manifestara a necessidade de um desprendimento total e de uma confiança absoluta em quem envia: “Nada leveis para o caminho: nem cajado, nem alforge, nem pão, nem dinheiro, nem duas túnicas” (Lc 9, 3). E os pedidos de hoje reforçam esta ideia, para que não sobrem dúvidas: “Eu vos envio como cordeiros para o meio de lobos” (Lc 10, 3). De facto, só quem muito confia pode entender e aceitar um desafio assim! Por isso, salienta a importância da oração: “Pedi ao dono da seara que envie trabalhadores para a sua seara” (Lc 10, 2). Mas porque devem eles começar a sua acção missionária com a oração?

Este pedido de oração, em si, não é para lembrar Deus da necessidade de enviar mais discípulos! Ele não se esquece! A oração não é para acordar Deus do sono, ou para O lembrar de algo que tenha esquecido. É, em primeiro lugar, destinada a quem a faz, a nós próprios. A oração é uma força que transforma quem reza, porque faz entrar na intimidade com Deus. Ela liberta dos medos e dos egoísmos, dá o entusiasmo e impulso necessário para uma vida cristã comprometida e missionária, ilumina e esclarece sobre a vontade de Deus. Por isso é tão fundamental. Sem ela dificilmente haverá discípulos missionários, trabalhadores para a seara ou para a vinha do Senhor. Sem ela dificilmente haverá homens e mulheres com coragem para aceitar o convite de Jesus para irem à Sua frente a preparar os lugares onde Ele há-de ir e estar.

“A seara é grande, mas os trabalhadores são poucos” (Lc 10, 2). Estas palavras de Jesus ganham  redobrado sentido no nosso tempo. Na Diocese da Guarda, por exemplo, alegramo-nos com as três ordenações sacerdotais que tivemos nos últimos cinco anos. Mas elas são escassas para uma seara tão grande! Por isso, há que redobrar a oração pelas vocações cristãs, sacerdotais ou não. Além disso, é necessário ter audácia e lucidez para implementar uma reforma pastoral corajosa, que nos transforme em verdadeira Igreja comunhão, onde se valorize a participação laical e a corresponsabilidade. Isto, sem deixar de estar atentos a alguns sinais dos tempos, como aquele que vem do documento preparatório do Sínodo sobre a Igreja na Amazónia, em Outubro próximo, onde vai ser estudada “a possibilidade da ordenação sacerdotal de anciãos, preferencialmente indígenas, mesmo que já tenham família constituída e estável, a fim de garantir os sacramentos que acompanham e sustentam a vida cristã”.

Senhor Jesus, continuas hoje a chamar e a enviar muitos discípulos à tua frente! Pedes-lhes, como aos Apóstolos, uma confiança absoluta, uma generosidade sem limites, um desprendimento total! Talvez nos falte abrirmo-nos mais à oração, àquela oração que transforma o coração e a vida. Dá à tua Igreja um grande amor à oração. Dela virá tudo o resto.
Amén.