Entre margens da Palavra

0. Preparo-me

Procuro um lugar adequado e uma boa posição corporal. Respiro lenta e suavemente.
Silencio os pensamentos. Tomo consciência da presença de Deus, invocando o Espírito Santo.

1. O que diz o texto
- Leio pausadamente Lc 13, 1-9.
- Sublinho e anoto o mais significativo.
Interrogado, Jesus comenta dois acontecimentos dramáticos. Depois, conta a parábola da figueira estéril. Em ambos momentos, Jesus apela à urgência da conversão.

2. O que me diz Deus
- Deixo-me interpelar pelas palavras de Jesus. Que experimento?
Jesus desconstrói a ideia errada de uma justiça divina retributiva (castigo para “maus” e vida boa para “bons”). Diante de Deus, todos somos pecadores. A adversidade não é punição divina. Segundo Jesus, é um apelo à conversão. Desgraça é uma vida ser tão inútil quanto uma figueira que não dê frutos. A minha adesão a Deus verifica-se na capacidade de compaixão e ação em favor dos outros, não pelos benefícios ou prejuízos recebidos. A paciência de Deus para comigo é que deve ser retribuída aos outros.

3. O que digo a Deus
- Partindo do que senti, dirijo-me a Deus, orando (de preferência com palavras minhas).
Senhor, a vida é dom demasiado precioso para desperdiçar. Todavia, confundo-me nas escolhas. Mal reconheço a paciência que tens com as minhas rebeldias. Priorizo banalidades e adio o essencial. Repouso no seguro e fácil, em vez de rentabilizar os talentos. De forma egoísta, penso apenas em mim, sem com isso obter qualquer bem evidente. Consumo graças e sacramentos para, no fim, adiar a mudança interior, necessária e urgente. Esqueço que o tempo concedido não é eterno. Para não me confrontar, comento a vida dos outros e julgo os erros alheios. Peço-Te: transforma a minha esterilidade em vida fecunda.
Quando a dor chegar, não a entenda eu como desgraça, mas oportunidade para a tua Graça em mim. Na verdade, a minha conversão é a única resposta à tua paciência.

4. O que a Palavra faz em mim
- Contemplo Deus, saboreando e agradecendo.
Senhor, tua paciência pede os frutos que, em mim, queres cultivar. Por isso, Te agradeço e louvo, contemplo e adoro.
Inspira-me o que esperas e mereces de mim. Apoiado em Ti, comprometo-me em algo oportuno e alcançável, crescendo na minha relação diária conTigo e com os outros.

PROVOCAÇÕES
- A minha vida dá os frutos que Deus espera ou sou “figueira estéril”?
- Comento e julgo a vida dos outros em vez de cuidar deles?
- Que mudanças devem acontecer em mim para me converter?

UM PENSAMENTO
“Para que a esperança e a fé possam dar os seus frutos, é necessária a paciência.” (São Cipriano)

UM DESAFIO
Pedir ao Espírito Santo a graça de corresponder à paciência de Deus.

ARQUIVO & PODCAST
https://seminariointerdiocesanosj.pt

UMA ORAÇÃO-POEMA

Um tempo mais, Senhor,
para, por fim, frutificar
e, pela tua paciência
apurar minha essência.
Se, para tal, algo houver
de cortar ou extrair
seja de mim todo o mal
para só o bem me erguer.

Um tempo mais, Senhor,
até que jorre tua seiva
em todo o meu interior.
Escava, aduba e irriga
o estéril chão do meu ser
até que cresça em mim
o desejo de converter
todo o tempo para Ti.