“Sua Santidade, é uma grande honra recebê-lo entre nós.

Percorreu um longo caminho para estar connosco na nossa terra e caminhar connosco no caminho da reconciliação. Por isso, honramo-lo e damos-lhe as nossas mais sinceras boas-vindas”, declarou o chefe indígena Wilton Littlechild, na saudação ao Papa Francisco, no início da viagem que está a realizar ao Canadá.
Ao contrário do que acontece habitualmente, desta vez os encontros com as autoridades civis e membros do corpo diplomático foram antecedidos de um encontro com os sobreviventes do sistema de ensino residencial. A Escola de Ermineskin foi uma das maiores do Canadá, confiada a missionários católicos desde a sua fundação, em 1895.
Wilton Littlechild, o chefe “águia dourada” (Usow-Kihew, na língua cree), apresentou Maskwacis, ao papa Francisco, como “território ancestral” dos povos Cree, Dene, Blackfoot, Saulteaux e Nakota Sioux desde “tempos imemoriais”.
Dirigindo-se ao Papa Francisco com o nome indígena de “águia branca” disse que gostariam de “reconhecer com profundo apreço o grande esforço pessoal que fez para viajar para a nossa terra. É uma bênção recebê-lo e acolhê-lo entre nós. A vasta extensão de terra chamada Canadá, a que os Povos Indígenas se referem como parte da Ilha da Tartaruga, é a pátria tradicional das Primeiras Nações, Métis e Povos Inuítes”.
O chefe “águia dourada” disse que o Papa está no Canadá “como um peregrino, procurando caminhar no caminho da verdade, justiça, cura, reconciliação e esperança”.
No passado, a política do Canadá assumia a “inferioridade das etnias e culturas indígenas e sua inevitável extinção”, uma política de assimilação cultural que era implementada através do sistema de escolas residenciais, distribuídas por todo o país.
A 37ª viagem internacional do Papa Francisco foi apresentada como uma peregrinação “penitencial” em busca da reconciliação com os povos indígenas. Este sentimento ficou bem vincado com o Papa a pedir “perdão” pelo envolvimento dos católicos na gestão de escolas residenciais para povos indígenas do Canadá, confessando “indignação e vergonha”.