O Verão é, normalmente, sinónimo de festas e romarias,

em toda a região da Guarda. Mesmo longe das enchentes de outros tempos, as aldeias ganham nova vida e, em muitos casos, a população residente aumenta três ou quatro vezes mais. A pandemia que assola o mundo, desde o início de 2020, veio quebrar o ritmo normal de tradições ancestrais em que os ajuntamentos eram inevitáveis. Tudo passou a ser diferente, mesmo o convívio entre famílias. 
Um ano depois, com algum alívio em matéria de confinamento e relacionamento social, continuam as mesmas proibições no tocante a manifestações públicas de cultura, tradição e fé. As procissões, os arraiais, os bailaricos, as capeias e tantas outras tradições populares vão ter de esperar por melhores dias. 
Apesar de todas as condicionantes, em ano de eleições autárquicas, adivinham-se manifestações e movimentações espontâneas, ao longo dos meses de Verão. No concelho da Guarda, por exemplo, a avaliar pelo elevado número de candidatos que já se perfilam, serão muitas as danças e andanças de freguesia em freguesia à procura do maior número de apoiantes e votos. As caravanas andarão num corrupio constante, de aldeia em aldeia, a proclamar promessas sem fim que, na grande maioria desvanecem logo no dia das eleições. 
Na Guarda, o Verão antevê-se quente, longo e esventrado no repetir e esgrimir de argumentos mais ou menos importantes para o futuro de um território cada vez mais esquecido e despovoado. Nesta zona, de terra vazia é urgente e imperioso encontrar pontos de convergência que não olhem a ideais e cores partidárias mas que tenham em conta o bem comum e a causa pública. O repto é para todos os que se apresentam como candidatos, aos quais se pede que sejam sábios, prudentes e arrojados na defesa dos interesses das populações.