O negro da paisagem é aterrador e medonho.

Quem se aventurar nas estradas e caminhos que serpenteiam as montanhas e vales do Parque Natural da Serra da Estrela dá conta de uma grande ferida que vai demorar anos a sarar. Aqui e ali vão aparecendo pequenos oásis que resistiram à força e ao calor do fogo abrasador, que consumiu quase tudo o que foi encontrando pela frente.
Não basta falar do que aconteceu. É importante mas pode não ser suficiente. Para termos uma leitura correcta da catástrofe que se abateu sobre um património natural inserido no Geopark Mundial da UNESCO, distinguido pelo seu excepcional Património Geológico, é preciso pisar os locais atingidos.
A missão do Geopark Estrela parece ter ruido de um momento para o outro, em poucos dias. Por isso, agora mais do que nunca é preciso não baixar os braços e lançar mãos à obra para que a desgraça não seja arrumada no esquecimento. Todos têm a nobre missão de contribuir para a protecção, valorização e dinamização do património natural e cultural, com especial ênfase no património geológico, numa perspectiva de aprofundamento e divulgação do conhecimento científico, fomentando o turismo e o desenvolvimento sustentável do território.
Agora, mais do que nunca, é tempo de ir aos lugares mais recônditos, às entranhas do Parque Natural da Serra da estrela, para o ver de perto e participar no seu renascimento.
É verdade que são importantes os milhões que ajudem a Serra a ressurgir “ainda mais bela” mas isso vai demorar tempo.
Para que estes lugares não fiquem ainda mais despovoados é preciso mudar regras e pensar nas pessoas que aqui vivem e aqui querem continuar a fazer a sua vida.
Depois do fogo não ficou apenas o negro da paisagem, ainda há memórias, património, cultura, tradições, gastronomia e muito para desvendar.