Sínodo sobre a família


Porque esta assembleia caiu em desuso durante alguns séculos e foi instaurada apenas no Concílio Vaticano II, enquanto não se torna noticiário corrente, corre o risco de não se perceber rapidamente todo o seu significado.
As Igrejas orientais nunca perderam o costume de fazerem esta reunião não já universal mas segundo a periferia de cada um dos Patriarcados. Aqui, no Ocidente, podem convocá-lo os Bispos nas suas dioceses ou o arcebispo no seu território.
O decreto dirigido aos Bispos, no último Concílio, em linguagem mui resumida, diz assim: “Desde os primeiros séculos da Igreja que os Bispos, postos à frente das igrejas particulares, movidos pela caridade e pelo zelo da missão universal confiada aos apóstolos, uniram as suas forças e vontades para promoverem o bem comum e o de cada uma das igrejas. Com este fim foram instituídos quer os sínodos quer os concílios provinciais, quer mesmo os concílios plenários em que os bispos estabeleceram para diversas igrejas um sistema comum quanto ao ensino das verdades da fé e à ordenação da disciplina eclesiástica. Este Sagrado Concílio Ecuménico deseja que a veneranda instituição dos Sínodos e Concílios retome novo vigor, para se prover mais adequada e eficazmente ao incremento da fé e à conservação da disciplina nas várias igrejas, segundo as exigências dos tempos.”
Embora esteja indicada, deste modo, a realização do Sínodo de toda a Igreja, será o Sumo Pontífice a convocá-lo e a programá-lo para o fim que tem em vista quer a disciplina quer o incremento da fé, quer as duas coisas juntas.
Ninguém deve esquecer que desde os princípios da Igreja, a comunidade foi incentivada a escolher e a chamar quantos pareciam dotados das qualidades requeridas para condutores das almas.
Não esqueceremos serem tão complexos os motivos e assuntos da vida matrimonial nos dias de hoje que, no passado ano, já se realizou um sínodo sobre a família e, enquanto se esperava este, pelas dioceses além, se continuou a estudar com grupos capacitados em ordem a obterem-se luzes bastantes para resolver tantas questões que vão ser objecto de estudo na Reunião Plenária já próxima. Recordamos ainda que muita oração subiu ao trono de Deus para enviar a sua luz e verdade, a fim de todos serem fiéis à sua Palavra.
Ao tocarmos neste ponto, não iremos julgar que a fé cristã tomada de Jesus, o Mestre divino, está ao sabor das gentes ou dos tempos Bem sabemos que desde os princípios da Igreja, a comunidade foi incentivada a escolher e a chamar quantos pareciam dotados das qualidades requeridas para condutores das almas.
A fé consiste na aceitação da mensagem do Senhor Jesus promulgada pela autoridade da Igreja. Nada mais nem nada menos.
Sabemos que o ambiente geral da sabedoria hodierna dos grandes intelectuais e do povo por eles conduzido tentam desvirtuar a Palavra de Deus. Ora esta há-de receber-se com humildade, respeito, submissão e acatamento. Só deste modo se torna verdadeira fé recebida na obediência a Deus.
Muitas posições sobre problemas da família desde os divórcios até aos abortos e outras mais questões estão a ter como consequências o abandono de tantas crianças, o desamparo de velhinhos, a libertinagem de muitos jovens, porque na família, que não tiveram, não se lhes deu carinho, educação, sentido de responsabilidade, de união fraterna e sentido de liberdade consciente, sem contar os problemas sociais causados à colectividade.
A Palavra de Deus é sábia porque nascida de uma inteligência infinita, é recta porque vinda de um amor imenso, é perfeita porque baixada da glória celeste. Por isso, deve estudar-se e cumprir-se.
Não poderemos abandonar estes ensinamentos, sem os seguirmos totalmente tanto no assentimento intelectual como na plena aceitação revelada nas nossas obras, a fim de nos sentirmos felizes e abençoados.