Estar atento aos acontecimentos ao redor do mundo tem sido uma das grandes características do Papa Francisco.

Habitualmente, na oração do Angelus, recorda os grandes dramas e anseios da humanidade. A paixão com que fala dos problemas, das catástrofes, das efemérides e dos acontecimentos, que marcam o ritmo da vida da humanidade, é impressionante.
Em cada Domingo, da janela dos aposentos pontifícios, o Papa mostra imensa proximidade às pessoas. Sem olhar à condição social, raça ou credo, tem sempre uma palavra amiga e encorajadora. Fala com energia das boas notícias e mostra um ar preocupado, mas atento, perante situações menos boas.
O drama do grupo de estudantes desaparecido dentro de uma gruta, na Tailândia, não escapou à sensibilidade do Papa Francisco.
“Também asseguro as minhas orações para os jovens que estão desaparecidos há mais de uma semana numa caverna subterrânea na Tailândia”, disse durante a oração do Domingo, 1 de Julho.
Ao mesmo tempo que o mundo acompanhava o grupo de estudantes preso numa gruta na Tailândia, desde o dia 23 de Junho, depois de fortes chuvas terem alagado o complexo de cavernas num parque em Chiang Rai, no norte do país, o Papa Francisco prometia a sua presença através da oração.
Uma forma diferente de mostrar proximidade e preocupação com os problemas dos outros que, muitas vezes, o mundo dito desenvolvido não entende.
A operação de resgate envolveu centenas de pessoas. Os 12 adolescentes, com idades entre os 11 e os 16 anos e o técnico de futebol de 25 anos, foram retirados da caverna, esta terça-feira. Uma boa notícia que deu alegria não só aos pais e familiares, mas também a todos os que estiveram envolvidos de forma directa ou indirecta neste acontecimento.
No rescaldo desta arriscada missão de salvamento, a que o mundo assistiu com apreensão e ansiedade, há quem aponte a disciplina e a educação do povo Tailandês como factores determinantes para o seu sucesso. Não parece ser tarefa fácil manter um grupo de doze adolescentes, minimamente calmo, ao longo de tantos dias, encurralado numa caverna. Valeu o respeito pelos mais velhos e a meditação.
O facto do treinador do grupo de adolescentes ter sido monge budista, foi referenciado, por diversas vezes, como um aspecto determinante em toda a operação.
O sucesso dos trabalhos ficou a dever-se ao respeito pelas hierarquias, à boa coordenação e à aceitação da ajuda externa.
O desfecho feliz de uma situação complexa merece sempre um aplauso de júbilo.
No momento final do resgate, pela sensibilidade que o caracteriza, tenho a certeza que o Papa Francisco rezou de alegria.