A necessidade de “acções climáticas urgentes para enfrentar o clamor da terra e o clamor dos pobres” foi um dos alertas deixados no recente Sínodo especial sobre a Amazónia.

Vem esta ideia a propósito da cimeira das Nações Unidas sobre o clima (COP25) que começou esta segunda-feira em Madrid, com a presença de 50 líderes mundiais.
Esta cimeira deve definir as regras relativas aos mercados de carbono e mecanismos não mercantis (artigo 6 no Acordo de Paris), rever o Mecanismo de Varsóvia sobre perdas e danos e estabelecer as bases para compromissos climáticos mais fortes.
Esta é, sem dúvida, uma oportunidade para todos tomarmos consciência dos deveres e responsabilidade climáticas. Damos conta de tantas vozes que se levantam em defesa do ambiente e, ao mesmo tempo, de melhor qualidade de vida para todos os seres vivos. Quando a colaboração for geral será mais fácil alcançar a meta desejada. Sabemos que os recursos não são ilimitados e que devem ser bem utilizados não só a pensar nas gerações futuras mas nas que vivem o tempo presente.
Neste processo, como em tantos outros também se aplica um provérbio usado de forma recorrente, “bem prega Frei Tomás, faz o que ele diz, não faças o que ele faz”. Quantas vezes nos chamam a atenção para a necessidade de alteração de comportamentos em termos ambientais e climáticos e depois damos conta de tantas prevaricações da parte de quem deveria partir o exemplo. Olhamos para os jovens mentores de causas ecológicas e ao mesmo tempo deparamo-nos com o desleixo no uso de objectos de plástico e até mesmo de aparelhos tecnológicos. São as contradições de uma sociedade que quer impor regras e formas de vida em que muitas vezes não acredita.
Durante a 25.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, que se prolonga até 13 de Dezembro, são esperadas, em Madrid, delegações de 196 países, assim como os mais altos representantes da União Europeia e várias instituições internacionais.
Esta é sem dúvida uma boa oportunidade para voltar a chamar a atenção para problemas gravíssimos que afectam a actual sociedade de consumo e de descarte desmedido. Cabem aqui as palavras do Papa Paulo VI quando afirmava que “os progressos científicos mais extraordinários, as invenções técnicas mais assombrosas, o desenvolvimento económico mais prodigioso, se não estiverem unidos a um progresso social e moral, voltam-se necessariamente contra o homem”.