Turismo e ruralidade

Longe vão os tempos em que o termo ruralidade não condizia muito bem com turismo. A ligação ao campo era sinal de trabalho duro e árduo e podia mesmo significar desprestígio e falta de recursos. Para muitos, só vivia da terra quem não sabia fazer mais nada. Quem não se lembra da debandada em massa, da gente nova e trabalhadora das aldeias deste interior que nos define. As últimas décadas do século passado ficaram marcadas por uma vaga de emigração sem precedentes em busca de uma vida melhor. O mundo rural ficou para trás traduzindo-se de forma particular no abandono dos campos e, em muitos casos, de grandes quintas e herdades. De um momento para o outro tudo se alterou e também neste ponto há vontade de mudança. Damos agora conta de que o campo começa a ter outro valor. São muitos os que trocamos grandes centros urbanos pelos sítios mais recônditos deste território esquecido do interior. Os campos ganham nova dinâmica e as casas abandonadas no meio do nada são transformadas em locais de acolhimento, no designado turismo rural. Este domingo, o último de Setembro, celebra-se o 41º Dia Mundial do Turismo, este ano com o tema ‘Turismo e Desenvolvimento Rural’, definido pela Organização Mundial do Turismo. Perante esta preocupação abrem-se horizontes para uma nova perspectiva na actividade turística, para a redescoberta e valorização de novos locais, concretamente de algumas aldeias, desconcentrando o turismo dos grandes centros urbanos. Ao mesmo tempo há novos lugares a beneficiar desta actividade. O investimento nos espaços rurais vai ajudar no reequilíbrio social e económico, assim como na revitalização da actividade agrícola, com as suas características, tempos e exigências próprias, fomentando a economia rural e a valorização dos seus trabalhadores.A pandemia que está a assolar o mundo veio mostrar que o contacto com o mundo rural e com a natureza permite a redescoberta de uma cultura própria, particularmente para as gerações mais novas, enraizada em valores ancestrais.