Na vida “tudo tem o seu tempo determinado”.

O livro do Eclesiastes, no Antigo Testamento escreve que “há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; (...) tempo de guerra, e tempo de paz”.

Como o tempo não pára é importante saber aproveitar bem cada momento da vida. Num abrir e fechar de olhos deixamos para trás as semanas de descanso e de convívio nas festas populares.

Está a terminar mais um mês de Agosto, um tempo de excelência para o reencontro em família e em comunidade. As casas dos povoados mais recônditos e esquecidos, de um País que continua a caminhar a várias velocidades, ganharam nova vida, ainda que temporária. Ao longo das últimas semanas abriram-se portas, escancaram-se janelas, ligaram-se luzes. Por algum tempo, as aldeias esqueceram a monotonia dos dias quase sem gente. Houve festa e algazarra, houve encontros e reencontros.

No seu percurso calmo e rotineiro, o tempo continuou a passar, quer no rebentar dos foguetes, quer num bailarico popular ou num concerto memorável. Outros, lá para os lados da Raia, gastaram o tempo em encerros ou no pegar do forcão. Houve quem preferisse a calma de um mergulho em águas cristalinas de uma qualquer praia fluvial, ou na terapia das estâncias termais existentes na região. Nas festas em família, com bodas e baptizados pelo meio, o tempo também foi passando. Também não faltaram aqueles que, no regresso às raízes, voltaram a experimentar a dureza dos arados e das enxadas com que aprenderam a amanhar e a cultivar a terra.

Neste território cada vez mais despovoado, nos meses de Verão até parece que o tempo voltou para trás. Por momentos há um encantamento passageiro com gente que quase perdeu a identidade da origem. Se fosse sempre assim, até as escolas voltavam a ter meninos como antigamente. Se fosse sempre assim os comércios tradicionais regressavam às aldeias. Se fosse sempre assim os abandonados campos de futebol voltavam a encher-se de jovens. Se fosse sempre assim havia braços para tratar a terra.

Mas, quer queiramos, quer não, o tempo é o relógio da vida e, como não pára, tem de ser bem aproveitado. A sabedoria popular ensina-nos que “com tempo e perseverança, tudo se alcança”.

Recentemente, o secretário-geral socialista anunciou que o Governo vai baixar o IRS para os emigrantes que regressem ao país nos próximos dois anos. E os que cá ficaram e resistiram nos tempos difíceis?
Mesmo sem promessas de redução nos impostos, que nunca falte o tempo e a esperança aos resistentes, que por aqui continuam a labutar pelo pão de cada dia.