Nos tempos que correm, parece quase uma utopia falar de Semana dos Seminários.

Os edifícios, que foram pequenos algumas décadas atrás, estão agora vazios do mais importante, os jovens que lhes davam vida e sentido.
Em poucos anos, estas casas, que formaram grandes homens, deixaram de ensinar. Na Diocese da Guarda os seminaristas há muito que abandonaram a cidade. Depois de terem passado por Viseu, agora fazem a formação em Braga, num seminário interdiocesano que também recebe os jovens de Viseu, Lamego e Bragança/Miranda.
Os tempos são diferentes, dizem alguns. Outros olham para as escolas das aldeias que estão fechadas para justificarem a falta de seminarista. Há ainda quem diga que a Igreja está ultrapassada e não é capaz de acompanhar os “novos tempos”.

“Formar discípulos missionários” é o tema da Semana dos Seminários 2018 que as dioceses portuguesas vão viver, de Domingo, 11 de Novembro, até e 18 de Novembro. Dizem que é um “momento especial para olhar com mais atenção e cuidado para esta importante realidade da vida da Igreja”.
O presidente da Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, da Conferência Episcopal Portuguesa considera mesmo que a Semana dos Seminários 2018 é um momento especial de olhares “de gratidão, de realismo, de responsabilidade e compromisso, de confiança e esperança”.

De facto estes olhares são importantes para percebermos para onde caminha, no nosso caso, a Diocese da Guarda. De certeza que estamos gratos a todos aqueles que um dia tiveram a coragem de deitar as mãos ao arado sem olhar para trás. De certeza que que temos consciência de que os tempos actuais são bem diferentes, devido ao reduzido número de padres no activo da missão e à grande escassez de jovens interessados em estudar a sua vocação. De certeza que há a responsabilidade e o compromisso de pedir ao Senhor da messe que mande operários para a sua messe. De certeza que temos confiança e esperança em melhores dias, em tempos mais favoráveis para o despertar de novas vocações.

Na Semana dos Seminários não podemos esquecer que a missão da Igreja exige sacerdotes bem formados, chamados a ser evangelizadores com espírito e testemunhas da santidade de Deus. Para que tal aconteça é preciso o empenho de todos na missão formativa, a começar pelos bispos e padres, equipas formadoras, professores de teologia, colaboradores dos seminários, bem como as famílias, paróquias e outras realidades eclesiais.
A falta de candidatos ao seminário nunca pode dar azo ao desleixo ou ao facilitismo.