Ao reassumir o trabalho, após as costumadas férias nas escolas,

bom é recapitularmos a doutrina já estabelecida e reivindicada, para encetarmos mais um ano de formação.
Bem sabemos que na idade luxuriante e jovem se necessita formar o homem para a plenitude da sua maturidade, a fim de cumprirmos com proveito as tarefas que nos incumbem ao olharmos para o mundo novo que se vai renovando pelas crianças.
O ditado “ninguém nasce ensinado” recorda-nos o dever de renovarmos o mundo não apenas com recém-nascidos mas ainda com homens sempre a amadurecer até serem completamente formados (o que nunca sucederá pois “aprender até morrer”) para irem assumindo os encargos da vocação a que forem chamados, tendo sempre em conta que a nossa passagem pela terra é tão somente o prelúdio da autêntica vida, a realizar cabalmente na eternidade.
Sendo assim, não poderemos esquecer a responsabilidade de nós todos sobretudo dos pais no andamento do mundo. Hoje, de uma forma geral, cada família está atenta e disponível para assumir os encargos de educar os mais novos para as tarefas de uma profissão, de um ofício, do papel a exercer na maioridade do amanhã. Por isso, a obrigação da escola está na mente dos governantes e dos pedagogos.
Entretanto, torna-se necessário alarga o horizonte para além das fronteiras terrenas e pensarmos na vida eterna que se vai abrir para quantos deixam este mundo, uma vez que a imortalidade também atinge a existência humana, coisa em que, por vezes, pouco se pensa..
Ainda ressoam ao nosso ouvido as preocupações do último Concílio, a insistir no dever de instruir, a fim de preparar o homem para os seus deveres no mundo: “O sagrado Concílio Ecuménico considerou atentamente a gravíssima importância da educação na vida do homem e a sua influência cada vez maior, no progresso social do nosso tempo. Na verdade, a educação dos jovens, e até de uma certa formação contínua dos adultos torna-se, nas circunstâncias actuais, não só mais fácil mas também mais urgente”. E prossegue o ensinamento, afirmando ser a consciência da própria dignidade e do próprio dever mais perfeita e lúcida. Para além das facilidades modernas, pressente-se, por toda parte, um chamamento a fim de todos se prepararem, o melhor possível, e alcançarem não apenas os bens deste mundo mas sobretudo a felicidade sem fim..
Felizmente é uma preocupação geral e comum o interesse dos pais e também dos governos a formação das crianças e dos jovens para as lides e profissões em ordem aos empregos, mas vai-se notando o desmazelo de bastante gente na formação catequética, no domínio espiritual e desenvolvimento religioso das virtudes, honestidade, rectidão e religiosidade.
Faz-nos estremecer o ambiente da sociedade e não me refiro apenas aos estreitos limites da nossa pátria, perante factores infelizmente bem comuns do nosso tempo: guerras, imoralidades, desprezo dos outros, confrontos familiares e de vizinhança, imposturas, faltas de pudor e de respeito e tantos outros males que dominam os comportamentos de hoje.
A urgência de acção educativa nestes campos está a tornar-se uma inquietação universal que deve provir sobretudo do esforço corrente de todos os lares e exercer-se sobre crianças e jovens..
O Concílio não deixou no esquecimento problemas cuja solução se torna urgente nos nossos dias. Devido à secularização que está apoderar-se da sociedade, chama a atenção para um mais conveniente cuidado, em muitos sectores: “adoptar por filhos crianças abandonadas, receber com benevolência estrangeiros, coadjuvar no regime escolar, auxiliar os adolescentes com conselhos e meios materiais, ajudar os noivos a prepararem-se melhor para o matrimónio, colaborar na catequese” e por aí fora...
Para além da ciência que toma grande parte do tempo nas escolas, o processo educativo não pode largar de mão a tarefa de: construir o respeito na sociedade, de fomentar a unidade e a paz entre os seus diversos sectores, de favorecer a interajuda e a concórdia e sobretudo não deixar perder os horizontes do além para se conseguir a felicidade eterna.
Claro que aqui desperta a influência religiosa um dos pilares mais importantes para uma educação eficaz e plena.
Se é claro que esta norma pertence sobretudo à catequese, também é fácil afirmar que nenhum dos assuntos que se referem ao homem pode ser esquecido.