Neste viver humano tudo vai envelhecendo, à medida do passar dos tempos.

Mesmo nos costumes das gentes, com os inventos, as descobertas e a adaptação às novas circunstâncias, assistimos à reforma de muitas realidades. Até no campo espiritual, por causa do envelhecimento das regras e disciplinas, dos estatutos e regimes, exige-se certa adaptação aos períodos recém-chegados.
Por isso, de ora em quando, os movimentos e as tradições reclamam, por exigência dos ambientes ou mesmo por caducos se tornarem, uma reforma mais ou menos profunda.
Se o aforismo clássico nos repete: “a Igreja deve reformar-se sempre”, as suas partes sobretudo as mais notáveis, influentes e judiciosas hão-de ir-se reconstruindo.
Na vida eclesial, como em tudo, pede-se que os organismos mais influentes e relevantes vivam sempre com os objectivos da sua fundação que precisam de ajustar-se às diferentes conjunturas e circunstâncias.
Foi, seguindo estes ditames e máximas que o Papa Francisco promulgou para os cristãos de vida consagrada um ano de reforma e crescimento tanto na sua vida interior como na adaptação às necessidades modernas impostas pelos novos tempos, sem se desligarem das normas do seu carisma peculiar na comunidade eclesiástica.
No Concílio, vivido há cinquenta anos, estudou-se o facto já iniciado no século IV, de muitas instituições multiplicadas na Igreja e nascidas da pujança da sua vida interior de união a Cristo; reflectiu-se sobre o seu lugar no mundo e na comunidade eclesial. Precisamente num capítulo da Constituição que versa este tópico e também num Decreto mais adaptado às razões de hoje, vai-se apontando um inovado caminhar para a Caridade Perfeita onde devem subsistir e reavivar-se até os programas e regras adaptados ao viver de hoje.
Também o Novo Código do Direito Canónico consagrou uma revisão adequada para a nossa época sobre o andamento das comunidades consagradas, segundo o viver e sentir religioso actual.
Os papas dos nossos dias não esqueceram de tratar este assunto no seu ministério de ensino e direcção da Igreja.
Com tão grande e tão importante quantidade de motivações e pretextos, será fácil realizar esta acção, unindo-lhe o propósito de aplicar, na prática concreta, quanto se vai descobrindo nas exigências da investigação. O que se torna necessário é possuir boa vontade, coragem e alento, para conseguir a renovação proposta para este objectivo.
A renovação das Comunidades ou Institutos religiosos não será novidade para a história tão longa das Ordens monásticas e movimentos consequentes. Há mesmo vários matizes para considerar este fenómeno através dos tempos: regresso simples à regra primitiva, reinterpretação para a actualidade dos objectivos e deliberações de outrora, quando as circunstâncias do existir humano eram bem diversas de hoje, devido à indigência, à facilidade de comunicações, milhentas circunstâncias actuais, sobretudo quando pertencentes à vida apostólica de um ou outro sector, a exigir solidariedade com as igrejas locais ou mesmo com as carências da sociedade humana aí estabelecida.
Se as comunidades religiosas estão em ligação com grupos humanos que certas ordens devem servir e amar e agora desapareceram com os seus problemas têm de orientar-se para outros semelhantes.... O que é necessário para uma renovação eficaz será não se afastar do amor devido a Deus e das necessidades quer espirituais quer corpóreas vividas por qualquer irmão.
O viver a radicalidade do Evangelho adaptada às diferentes circunstâncias da existência de qualquer grupo cristão pode ser bastante diferente de uma para outra comunidade religiosa. Assim é diferente viver o monacato sempre entregue à oração e a sociedade evangélica continuamente entregue à proclamação da palavra de Deus, a fim de converter as almas.
Mesmo as reformas de tempos idos se encaminharam em diversas direcções devido a faltas e penúrias de regiões diversas que reclamavam soluções diferentes a aplicar no viver quotidiano quer espiritual quer terreno.
No renovamento apontado pelas prescrições da Santa Sé não se apontam formas unanimes de pensar ou agir. A história regista diversos religiosos a conduzir comunidades em direcções díspares, sendo elogiados de igual maneira.
O que importa é aplicar ao concreto da vida quer individual quer colectiva quanto o Espírito Divino indica e reclama.