Nestes novos tempos que nos cabe viver, descobrimos a malvadez humana e os seus reflexos na vida de hoje.

É o terror a espalhar-se, dia e noite, por toda a parte, brotando do coração humano, é o medo da morte que nos espreita a cada instante, é cegueira que mergulha as aspirações de tantos na destruição e na luta, retirando-nos as nascentes da esperança e encobrindo a possibilidade de melhores dias.
Perante os sentimentos que envolveram toda a terra, após duas guerras que destruíram milhões e milhões de pessoas, começou outro século onde aparecem grupos e grupelhos com a ânsia de destruírem quanto de bom, de sossegado, de pacífico, ainda paira na nossa atmosfera.
Pode alguém ter ousadia de confiar em séculos vindouros?
Pois foi, por entre catástrofe tão sinistra que escutámos o clamor pontifício indicando-nos o rosto da misericórdia toda-poderosa, desvanecida e enamorada, nada mais nada menos que divina.
Para nunca mais perdermos o seu eco, apontou-se-nos um ano com a finalidade de a lembrar e reter no nosso íntimo.
O Papa anunciou, por meio de uma bula “O rosto da misericórdia”, assinada a onze de Abril do corrente ano, um Jubileu Extraordinário da Misericórdia, incentivando o povo católico a haurir, na Escritura Sagrada e na Tradição da Igreja, um conhecimento cada vez mais perfeito e vivo acerca deste mistério no qual temos a síntese da nossa da fé, a arquitrave que suporta a vida da Igreja e a sua credibilidade por onde passa o anúncio e o testemunho que oferece ao mundo.
Não é recente tal doutrina. Ainda, a trinta de Novembro de 1980, o Santo Padre João Paulo II, ‘prosseguindo na grande tarefa de dar cumprimento ao Concílio Vaticano II’ incentivava os crentes a embeberem-se no ensino evangélico onde se lê: “Bem-aventurados os misericordiosos porque alcançarão misericórdia”.
Também o Papa, neste documento, lembra que, à semelhança de Cristo, teremos de cumprir a ordem por Ele deixada: “Sede misericordiosos como o vosso Pai celeste é misericordioso”, apontando ainda uma das incumbências dos crentes: “A Igreja tem a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho, que, por meio dela, deve chegar ao coração e à mente de cada pessoa”.
Ao tratar deste assunto, não deixa de lembrar o ensinamento oferecido a toda a terra por São João Paulo II: “A mentalidade contemporânea, talvez mais que a do homem do passado, parece opor-se ao Deus do amor e, além disso, tende a separar da vida e a tirar do coração humano a própria ideia da misericórdia. Esta palavra e conceito parecem trazer mal-estar ao homem, pois ele, graças ao enorme desenvolvimento da ciência e da técnica, nunca antes visto na história, uma vez tornado senhor da terra, a subjugou e a dominou”. E esta posição não vai deixar livre o coração humano para ter espaço onde caiba a misericórdia.
Para levar os homens a advertirem na necessidade de encorajar o seu próprio ânimo a exercer as obras de misericórdia, pede a todos que ‘reparem nas situações de precariedade e sofrimento presentes no mundo actual, nas feridas gravadas na carne de muitos que já não têm voz, porque o seu grito foi esmorecendo e se apagou por causa da indiferença dos povos ricos’.
“É o meu vivo desejo que o povo cristão reflicta, durante o Jubileu, sobre as obras de misericórdia corporal e espiritual”.
Desta forma, todos se aproximarão do Evangelho e das recomendações de Cristo através das quais seremos julgados, no final dos tempos.
Pede o Sumo Pontífice que, sobretudo no tempo da Quaresma, aproveitemos o ambiente de maior profundidade religiosa para vivermos mais profundamente quanto em Cristo é não só doutrina mas, ainda mais, exemplo vivo.
Também, na quadra do Natal, período de olhar os indigentes e desafortunados, é hora oportuna e favorável para abrirmos o nosso íntimo e distribuirmos as nossas coisas e assim espalhar a misericórdia.