Reinventar as tradições

Na Guarda, os Santos Populares ainda continuam a despertar carinho e interesse na grande maioria dos habitantes. Longe vão os tempos das grandes feiras de São João mas, mesmo assim, ainda há quem celebre a data com pompa e circunstância. Ao longo das últimas décadas, a autarquia tem procurado valorizar culturalmente a tradição da fogueira, da boneca e dos bailaricos que caracterizavam alguns dos bairros mais emblemáticos da cidade e de muitas aldeias do concelho. As pessoas voltaram a encher a cidade não só para participarem na feira, que tomou conta das ruas da Guarda, mas também na vasta programação preparada para o efeito com a envolvência da restauração local. 
O São João passou a ser celebrado na Guarda com novas dinâmicas, novas propostas, novos projectos. Tornou-se mais global e esqueceu um pouco o mundo rural e os seus costumes e centrou-se demasiado nos grandes ajuntamentos. Deixou de haver o cheiro dos alhos, da salsa e do manjerico. Desapareceram os vendedores de enguias, e de ginjinha, de foices, foições e de chapéus de palha… 
O São João na Guarda começou a ficar demasiado massificado.   De um momento para o outro, uma pandemia sem igual acabou por contrariar esta nova forma de viver as tradições. Parece que é tempo de voltar às origens, à simplicidade e singularidade de cada aldeia e de cada povo. É tempo de acender e saltar fogueiras nos largos das aldeias. É tempo de valorizar o que temos e somos sem desvirtuar as nossas raízes. 
Hoje, mais do que nunca, as tradições devem ser promovidas e apoiadas nos lugares onde são celebradas e vividas.