Regresso às origens

Vindos de todas as partes, do País e do estrangeiro, foram muitos os que, ao longo das últimas semanas, regressaram às suas localidades de origem. O mês de Agosto ainda continua a ser o mais escolhido para o gozo das férias de um ano de trabalho.
Por estes dias, as aldeias do interior, habituadas ao sossego e à rotina dos poucos que vão resistindo, ganham nova vida e enchem-se de gente. As portas e janelas das moradias abrem-se de par em par. Por momentos, uma esperança efémera invade o coração de quantos sonham com o regresso definitivo de filhos e netos, cada vez mais marcados por novos hábitos. 
O processo da separação com os lugares de origem parece irreversível. Aqueles que um dia partiram para outras terras rapidamente matam saudades. E a pandemia parece ter vindo acelerar todo o processo e o apego às raízes é cada vez menor.
As festas e romarias continuam proibidas e as tradições começam a ficar esquecidas. Este ano ainda não houve tempo para abraços, para o cheiro a pão do forno comunitário, para os bailaricos da aldeia ou para as correrias desenfreadas à frente dos touros. As capeias que atraiam multidões às terras da raia continuam à espera de melhores dias. 
Quase sem darmos conta, o desenraizamento com aquilo que nos distingue e faz de nós um povo com tradições únicas e ancestrais vai definhando de forma quase natural. 
É por estas e por outras que o regresso às origens parece cada vez mais comprometido.