A última incumbência de Jesus aos seus discípulos, no momento de subir ao céus,

terminada que foi a sua missão na terra, lê-se no termo dos evangelhos sinópticos: “Ide, pois, ensinai todas as nações, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-as a cumprir tudo quanto vos tenho mandado”. No final. Destes escritos, fica, para a posteridade, bem gravado o testemunho do começo da Igreja: “E eles, partindo, foram pregar por toda a parte, e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam”.
Pelos séculos além, a vida eclesial prossegue, tendo por fundamento, a observância desta ordem do Senhor.
Não ordenou o Mestre divino os modos e formas como tal mandamento se haveria de cumprir, nos tempos. Mas, logo no início, temos a notícia de que se prega o Evangelho nas praças de Jerusalém¸ nas salas dos tribunais, nos caminhos íngremes dos montes e vales, nas casas particulares, nas sinagogas e em diferentes reuniões de grupos.
Quando os apóstolos estão longe, vão comunicando a Palavra divina, através de cartas e outros escritos dando orientações para o seu testemunho e compreensão.
Não havia telefone, nem rádio ou televisões e muito menos internet com os meios e aparelhagens modernos de comunicação. Mas logo que foram inventados, aqui e além, por todo o mundo, tudo isso se começou a usar para difundir o ensinamento cristão, defini-lo melhor, expô-lo, desenvolvê-lo ou confirmá-lo.
Os livros e opúsculos já haviam feito a sua longa história, quando os jornais, revistas e similares começaram também a difundir a Palavra de salvação. Associações cristãs, mormente dioceses, ordens religiosas e confrarias puseram-se ao trabalho, organizando os meios de comunicação próprios para executarem seus intentos e desenvolverem uma preciosa obra na expansão do ensino divino e eclesial.
Na nossa Igreja egitaniense, há cento e onze anos, saiu o primeiro número do nosso semanário ‘A Guarda’ cujas vicissitudes acompanharam os tempos repletos de complicações difíceis: enredos, suspensões e demais problemas geralmente ocasionados pelas vicissitudes históricas e políticas.
Apesar de tudo, este periódico iniciado por entre dificuldades de toda a ordem, sob a chefia e o aval do então bispo diocesano D. Manuel Vieira de Matos, conseguiu ultrapassar tantos obstáculos e aí o temos, em nossas mãos, mantido pelo esforço múltiplo e repetido através de gerações: o trabalho de quem o organiza, a preocupação de quantos enviam os seus artigos, notas e apontamentos, sem esquecer os operários da tipografia a contribuírem com o seu esmero tipográfico e os assinantes a enviarem a sua quota monetária.
Todos colaboram com a sua parte para sustentarem, através dos anos, este jornal que deseja ser instrumento de progresso e partilha da fé, de melhoria social e divulgação de ideias e planos mesmo materiais para um viver mais digno desta gente serrana nem sempre assistida e patrocinada por quem longe dos problemas da gente do interior, facilmente se esquece das necessidades alheias.
Sendo o cunho fundamental deste semanário de feição cristã cuja finalidade pretende ser a conveniência e o proveito espiritual dos homens, é normal que nunca faltem assuntos de índole religiosa ou a ela atinentes. Pende sempre sobre nós a palavra do apóstolo Paulo: “Ai de mim se não evangelizar”, que nos obriga a indicarmos e dirigirmos a atenção dos leitores para os bens eternos de preferência aos negócios também necessários e úteis de índole material.
As ideias que pululam pelos nossos ambientes obrigam-nos a olhar para os grandes problemas da humanidade: a tensão internacional marcada por conflitos internacionais, o terrorismo de âmbitos diversos desde o terrorismo até às cenas de violência doméstica, desde a ânsia de tudo possuir, mesmo esmagando o viver dos indigentes, até aos impérios económicos ansiosos por tudo açambarcar, sem ter em conta a democracia, o respeito pelos direitos humanos, a recta informação e o digno desenvolvimento das camadas jovens que se têm de preparar para a vida.
No Decreto sobre os Meios de Comunicação Social, saído do Concílio Vaticano II, há advertências cujo alcance ainda não perdeu validade e cabimento e se torna importante recordar, num dia de aniversário. Eis apenas duas máximas bem importantes para o tempo de hoje, embora já proclamadas, cinquenta anos atrás: “Há que fomentar, antes de mais, a boa imprensa”. “Procurem, de comum acordo, todos os filhos da Igreja que os meios de comunicação social se utilizem, sem demora e com o máximo empenho nas mais variadas formas de apostolado, tal como o exigem as realidades e as circunstâncias do nosso tempo”.
Estas observações devem ser meditadas e cumpridas por quantos se pretendem cristãos de fé e de obras.