Quando encetar a Educação Religiosa? ’Ninguém nasce ensinado’ é adágio bem conhecido por todos, a requerer para as crianças, adolescentes e jovens, sem mesmo exceptuar os adultos, uma formação em diferentes estilos e condições da vida humana. Sem aperfeiçoamento e progresso da pessoa, esta não estará suficientemente apta a alcançar qualquer forma de vida adequada a uma existência útil e próspera. Daqui, a obrigação de se acompanharem os nascidos, nos primeiros tempos de sua existência, dando-lhes os conhecimentos, os hábitos, as valores, não apenas corporais, imprescindíveis e úteis à realidade individual de cada um. Seria falta grave mesmo um delito para com os filhos ou concidadãos abandoná-los à mercê da sorte, sem os dirigir e aperfeiçoar para uma existência feliz. É sobretudo à família e à comunidade que pertences tal função principalmente nos aspectos tradicionais dos costumes e valores próprios e característicos do meio ambiente. Claro que a formação para a vida, nos tempos de hoje, engloba mais aspectos que a de anos atrás. Oiçamos o que diz o Concílio, num documento importante, sobre a educação cristã: “É necessário que, tendo em conta os progressos da psicologia, pedagogia e didáctica, as crianças e os adolescentes sejam ajudados em ordem ao desenvolvimento harmónico das qualidades físicas, morais e intelectuais, e à aquisição gradual dum sentido mais perfeito da responsabilidade da própria vida, rectamente cultivada com esforço contínuo e levada por diante na verdadeira liberdade, vencendo os obstáculos com magnanimidade e constância”. Depois de chamar a atenção para uma formação dos adolescentes mesmo sexual, à medida que vão crescendo e para a capacidade de se inserirem facilmente no viver esclarecido e sociável em ordem ao bem comum, o texto afirma: “As crianças e os adolescentes têm o direito de serem incentivados a estimar rectamente os valores morais e abraçá-los pessoalmente, bem como a conhecer e a amar Deus mais perfeitamente”. Como à nossa volta se exalta a grandeza da liberdade, começa a chegar a postura de aguardar o crescimento intelectual mais abrangente e perfeito, para conceder à criança a liberdade de escolha da sua religião e do seu comportamento na vida. Quando a estes pais se pergunta se esperam análogo desenvolvimento psíquico para os mandarem à escola, sem ir ao extremo de lhes ter perguntado se queriam comer, respondem, de imediato, que isso era necessário para a vida, como se não fosse necessário para a vida e para a morte o conhecimento de Deus e consciência dos nossos deveres ara com Ele. De novo, o texto conciliar explica: “Os pais, que transmitiram a vida aos filhos, têm uma gravíssima obrigação de educar a prole e, por isso, devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores”. Não irão ocultar-se dos meninos os seus progenitores, quando está na hora de rezar, nem desviar os seus olhos de tantos sinais de religiosidades que o nosso povo espalhou, por cidades e aldeias, por montes e vales, nem fechar as janelas de suas habitações ou mesmo a televisão, nos momentos de passarem uma cerimónia pública religiosa. A verdadeira liberdade efectiva-se depois de um conhecimento certo e autêntico, pois, quando não têm capacidade de escolha os meninos pequenos, escolhem por eles os responsáveis pela sua educação, como aliás o têm de fazer em todas as circunstâncias onde se torna urgente o decidir. Aliás são os próprios pedagogos e homens sábios em psicologia que afirmam o dever das pessoas crescidas de serem exemplos, o mais cedo possível, de verdade e ética, pois quanto mais depressa se formula o sentido do viver, mais prontamente e mais depressa se vai formando o futuro homem. Este conselho é mais que autêntico, sobretudo quando vemos, através da vida de realizada à nossa volta e também por meio da comunicação social, os costumes nem sempre dignos, dos nossos coetâneos. Às vezes, até reembolsados, para espalharem, por todos os modos possíveis, as sua ideias e procedimentos. Isto se afirma, precisamente na época das matrículas nas escolas, para que os pais ou encarregados de educação não se vão esquecendo dos seus deveres de procurarem para os seus educandos tudo quanto os ajuda na formação religiosa e moral. Todos sabemos que a doutrina religiosa se vai explicando e transmitindo no seio da família ou nas comunidades praticantes. Mas, numa boa instrução, ficar-se-á com melhor conhecimento da humanidade se soubermos a história dos homens e se ficarmos a perceber e discernir os monumentos históricos, o porquê de tantas tradições e a razão de outrora se praticar isto ou aquilo. É sobretudo no ensino escolar que se desvendam estes problemas, tanto nos estudos históricos que nos vão dando notícias do desenvolvimento da humanidade nos diferentes aspectos do seu viver como nas ciências arqueológicas e quejandos e ainda no conhecimento de muitos símbolos de hoje que nos levam a compreender leis e costumes. Mesmo para um bom entendimento de aspectos religiosos diferentes dos cristianismo ainda vigentes nos nossos dias, o consultar as épocas de outrora ou as fontes deste ou daquele procedimento, nos ajudam a conviver melhor com civilizações modernas, neste tempo de tamanha convivência com pessoas diferentes em costumes até mesmo religiosos. Não será a catequese o lugar adequado ao aprofundamento de tantas religiões da terra inteira, mas na escola a aula de religião moral. Daqui ser incumbência dos pais o matricular os filhos nesta disciplina que lhes abrirá a mente para a compreensão de tanta forma de viver espalhada pelo mundo além. “Seria falta grave mesmo um delito para com os filhos ou concidadãos abandoná-los à mercê da sorte, sem os dirigir e aperfeiçoar para uma existência feliz”.