A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como “Festa do Corpo de Deus” é celebrada esta quinta-feira, 31 de Maio, com muitas manifestações de fé.


Esta solenidade começou a ser celebrada na cidade de Liège, na actual Bélgica, em 1246. O Papa Urbano IV, através da bula “Transiturus”, estendeu-a à igreja latina, em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.
Em resposta a heresias que colocavam em causa a presença real de Cristo na Eucaristia, a solenidade tornou-se num grande momento de devoção ao Santíssimo Sacramento.
Ao que tudo indica, esta solenidade chegou a Portugal provavelmente nos finais do século XIII, sendo designada por Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo.
A celebração acontece 60 dias após a Páscoa, na quinta-feira a seguir à Santíssima Trindade, lembrando a Última Ceia de Jesus com os Apóstolos, na Quinta-feira Santa.
O Concílio de Vienne (França), em 1311, e o Papa João XXII, em 1317, voltaram a insistir na celebração desta solenidade.
Durante a Idade Média é aprofundado o culto dirigido à presença eucarística, dando maior relevo à adoração, com a introdução do rito da elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração.
Mais tarde aparece a adoração fora da missa e aumenta a adesão popular à procissão do Santíssimo Sacramento.
Ao longo dos tempos, a “comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa” (Urbano IV) foi designada de festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo, festa da Eucaristia, festa do Corpo de Cristo. Actualmente tem a designação oficial de solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, mas o povo continua a chamar-lhe “Festa do Corpo de Deus”.
O Código de Direito Canónico recomenda a procissão com o Santíssimo Sacramento quando refere que “onde, a juízo do bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”.
Esta manifestação pública de fé, que acontece, praticamente, em todas as paróquias portuguesas, continua a atrair grandes multidões. Nas aldeias, vilas e cidades, o povo sai à rua para testemunhar a sua crença em Jesus presente na Eucaristia.
A “Procissão Real” percorre as ruas das povoações engalanadas de flores e colchas em tom de festa e alegria. Ao religioso, o povo associou aspectos culturais e tradicionais da sua cultura, através de símbolos e motivos evocativos do mistério eucarístico.
Mesmo nas terras mais despovoadas e abandonadas, a Festa do Corpo de Deus continua a ser vivida e sentida com uma devoção quase inexplicável.