Foi a 8 de Dezembro de 1967 que o beato Paulo VI, angustiado com o ambiente turbulento do mundo, onde faltava a compreensão entre os povos, cresciam as controvérsias e contendas, desde o pós-guerra até ao Concílio lançou a ideia de celebrar a 1 de Janeiro a Jornada Mundial da Paz.


Com o aumento dos problemas, a independência das entidades nacionais, o relevo de algumas potências  hegemónicas, a desigualdade entre ricos e pobres não apenas a nível individual mas entre nações, a formação da sociedade opulenta ocidental, com modelos consumistas, marginalizando países inteiros depauperados em tudo, o ambiente internacional arruinava-se mais e mais.
Nesse tempo, o Pontífice não tinha em mente apenas a comunidade católica. Queria unir na mesma aspiração e ideal todos os homens e sociedades de boa vontade que estivessem prontas a promover a verdade, a justiça, a liberdade, o amor, a fim de promover a concórdia e a união entre povos e raças.
Desde então até hoje, para acompanhar as preces a Deus, continuando o exemplo do Papa Montini, Bispos de Roma têm publicado um texto de reflexão, como fizera o iniciador desta Jornada, com o tema “A promoção dos direitos do homem, caminho para a paz” e os enviam aos homens de boa vontade os seus pontos de vista, com vontade de ajudarem o mundo a crescer na tentativa de se construir um ambiente universal de concórdia e tranquilidade.
Para este ano, o Papa Francisco entregou-nos a mensagem do anúncio, tantas vezes repetida, da universal fraternidade à terra onde a escravatura ainda sujeita muitos homens aos horrores de uma baixeza tamanha à qual muitos não querem reduzir os seus próprios animais.
Hoje mesmo, pessoas são reduzidas a propriedade de outrem pela força, engano, coacção física ou psicológica. Tratadas como objectos, são reduzidas à pobreza, à fome, ao trabalho em condições indignas e abjectas. Sujeitas a tal rebaixamento, trocam-se, vendem-se ou são dadas como qualquer coisa sem valor nem dignidade. Tudo isto vai acontecendo, aqui e além, geralmente pela sede de possuírem, mandarem, se engrandecerem, não pensando sequer que, com tais acções, eles próprios se aviltam.
O Papa tem coragem de fazer apelos aos Estados, dirigentes, organizações intergovernamentais e assim se pôr cobro a tamanha indignidade, apontando a natureza de todos os racionais que se igualam e irmanam na constituição de serem dotados de alma e, por isso, iguais uns aos outros.
Nesta mensagem, podemos ler o convite dirigido ao mundo inteiro: que ninguém se torne cúmplice de tamanha afronta a seres iguais a si próprios.
Precisa-se de solidariedade e de coração repleto de simpatia, isto é, de sentimentos cordiais tais quais o Senhor ordenou: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” ou ainda: “Não façais aos outros o que não quereis que vos façam a vós”.
Tudo isto se tornará fonte de paz e de alegria, em amizade recíproca a desenvolver-se e aumentar cada vez mais.
Quando os homens se estimarem reciprocamente, a paz nascerá como rio de água viva sempre pronto a oferecer-se à sede de quem quer que seja.
Deste modo, muitas causas provocadoras das guerras, de ódios e malquerenças se extinguirão, para logo a concórdia e o bem-estar nascerem, todos os dias, como a aurora.
O Beato Paulo VI, ao instituir a Jornada Mundial da Paz, desejava que os ensinamentos do Concílio resumidos sobretudo no capítulo V da Constituição Pastoral ‘A Igreja no Mundo Actual’ fossem, ao iniciar-se um novo ano, postos à consideração de todos os cristãos e homens de boa vontade, pois nesse documento se condensa a doutrina de Jesus que exige dos seus discípulos, o cumprimento do grande mandamento do amor, não apenas de modo individual mas ainda de forma colectiva e genérico, isto é, na colaboração de todos para o bem da humanidade inteira, sem a ninguém excluir.
Ao celebrarmos o cinquentenário do último Concílio, fica-nos bem e será de muito proveito reflectirmos sobre as grande linhas propostas, no documento citado, capítulo V, onde se nos diz que “a paz não é ausência de guerra; nem se reduz ao estabelecimento do equilíbrio entre as forças adversas, nem resulta de uma dominação despótica”.
Aí veremos que para vivermos, em quietação e concórdia, se deve assegurar o bem de todas as pessoas, compartilhando, entre si, livre e confiadamente as riquezas do seu espírito criador, para lermos também: “A paz terrena, nascida do amor do próximo, é imagem e efeito da paz de Cristo, vinda do Paz”.
Saberemos como evitar a guerra, na cooperação recíproca para o bem universal de todos os homens sobretudo na ajuda dos mais desfavorecidos e no diálogo simples e afável com o mundo inteiro.