Partilhar Memórias é o tema das Jornadas Europeias do Património que, este ano, acontecem nos dias 28, 29 e 30 de Setembro.


“Reavivar continuamente a memória é fundamental para que o passado não seja esquecido, pois capacita-nos a actualizar impressões ou informações, fazendo com que a história se eternize na nossa consciência e se transmita de geração em geração. Partilhá-la entre as diferentes gerações, diferentes comunidades e diferentes países contribui para a construção de um mundo mais esclarecido, mais tolerante e melhor” lembram os promotores da iniciativa.
Estas jornadas têm a coordenação da Direcção-Geral do Património Cultural e costumam envolver várias as entidades públicas e privadas, um pouco por todo o País. De uma forma ou outra todos querem chamar a atenção para a necessidade de preservar o que identifica povos e culturas. Ouvimos dizer que “a memória é a consciência inserida no tempo” o que nos deve levar a apostar na preservação daquilo que é nosso e que fala de nós.

Quantas vezes somos confrontados com autênticos atropelos ao passado que acabam por criar grandes terramotos em termos culturais, patrimoniais e ambientais. Diz o povo e com muita razão que “quem vê o seu povo vê o mundo todo” e, na partilha de memórias, começam a fazer muita falta os antigos serões provincianos. Eram autênticos livros abertos de sabedoria transmitidos, oralmente, de geração em geração.

As novas formas de comunicar acabam por aproximar criando distâncias quase intransponíveis. Da partilha e das memórias colectivas pouco ou nada resta e os aspectos identitários das nossas aldeias vilas e cidades vão desaparecendo com o tempo. Estamos na era da globalização e da massificação em que os pormenores quase desapareceram. Somos moldados à imagem e semelhança de uns poucos que nos querem fazer ver que não há outra saída.

“Nenhum país, nenhuma cidade, nenhuma aldeia se deve orgulhar se, no presente, não respeitar o passado e aproveitar o presente para perspectivar o futuro” proclamou o presidente da Câmara da Guarda na inauguração do Monumento de Homenagem aos Combatentes do concelho da Guarda que lutaram no Ultramar. Gostei de ouvir e gravei as palavras. Respeitar o passado e aproveitar o presente para perspectivar o futuro é, sem dúvida, a chave para o sucesso de quem está à frente dos destinos dos povos.

Mas, nesta partilha de memórias, há uma memória que a Guarda começou a guardar com carinho e cuidado mas que, entretanto, esmoreceu. Há algum tempo que a Guarda anda esquecida dos cadernos “O fio da memória”, que apesar de simples eram tão ricos e preciosos na preservação da memória colectiva do concelho.