“A integração na Europa do euro não correu como queríamos, construímos auto-estradas onde não passam carros,

traçámos planos grandiosos que nunca se cumpriram, afundámo-nos em dívida e ficámos a um passo da bancarrota. Três vezes - três vezes já - tivemos de pedir auxílio externo em 45 anos de democracia. É demasiado”, disse João Miguel Tavares, presidente das Comemorações do Dia de Portugal em 2019, que este ano se dividiram entre Portalegre e Cabo Verde.

Num discurso realista e sem rodeios, João Miguel Tavares não esqueceu a corrupção em que o País vive mergulhado e considerou que “é um problema real, grave, disseminado, que a justiça é lenta a responder-lhe e que a classe política não se tem empenhado o suficiente a enfrentá-la. A corrupção não é apenas um assalto ao dinheiro que é de todos nós - é colocar cada jovem de Portalegre, de Viseu, de Bragança, mais longe do seu sonho”.

No meio de tanta festa e celebração houve alguém que foi capaz de pôr o dedo na ferida e chamar a tenção para os verdadeiros problemas de um País real. De propósito ou não, houve tempo para falar de muitas fragilidades que alguns querem e gostam de ignorar. Olhar para o interior de um País que continua a caminhar a velocidades diferentes parece ser positivo mas não é suficiente.

É cada vez mais necessário passar das palavras aos actos e deixar de fazer de conta de que não se conhece a realidade das zonas mais fragilizadas. Há muito que são necessárias medidas positivas e de incentivo à fixação de pessoas e empresas no interior do Portugal mais profundo e esquecido.

Não basta celebrar o 10 de Junho nestes lugares, é preciso criar mecanismos que permitam igualdade de oportunidades para todos aqueles que aqui vivem e dão o seu contributo no desenvolvimento do País. Ao menos o Presidente da República foi capaz de admitir que o país tem “os seus erros e fragilidades”.

Marcelo Rebelo de Sousa valorizou o facto de as celebrações terem lugar em Portalegre, assumindo assim “o valor de um compromisso acrescido para com estas e estes portugueses que resistem à distância física e que não renunciam a querer ser cidadãos de primeira, como aqueles que cresceram e viveram nas metrópoles, onde estão centrados os poderes públicos”.

Celebrar o Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas tem de ser cada vez mais o encontro de todos com um País que não tem medo de ser justo e equilibrado nas decisões.