A poucos dias do início do Campeonato Mundial de Futebol FIFA de 2018,

que decorre na Rússia, entre 14 de Junho e 15 de Julho, o Vaticano, através do Dicastério para os Leigos, Família e Vida, publicou o documento “Dar o melhor de si” em que apresenta a perspectiva cristã do desporto e da pessoa humana.
Ao longo de cinco capítulos o documento aborda a evolução do desporto na história, a relação da Igreja Católica com esta realidade ou uma análise “antropológica” do fenómeno.
Sobre o texto, o Papa Francisco lembra que “a experiência do desporto implica a justiça, o sacrifício, a alegria, a harmonia, a coragem, a igualdade, o respeito e a solidariedade nesta busca de sentido”.
Recorda também que o desporto é um lugar de encontro, onde pessoas de todos os níveis e condições sociais se unem para atingir um objectivo comum.
O Papa ressalta a ideia de que é necessária a participação dos desportistas para que todos os que fazem parte do mundo do desporto sejam um exemplo de virtudes como a generosidade, a humildade, o sacrifício, a persistência e a alegria.
O Papa recorda que numa cultura dominada pelo individualismo e o descarte das gerações mais jovens, o desporto é um âmbito privilegiado, em volta do qual as pessoas encontram-se sem distinção de raça, sexo, religião ou ideologia.
A publicação deste documento inédito sobre o desporto por parte do Vaticano, na véspera da vigésima primeira edição do Campeonato Mundial de Futebol FIFA de 2018, apresenta uma reflexão que alerta para questões como a corrupção, doping, apostas e a falta de respeito pelos limites físicos dos atletas.
Numa sociedade marcada pela ganância do poder e da grandeza, esta tentação está cada vez mais presente no mundo do desporto. São inúmeros os exemplos de corrupção em que não se olha a meios para alcançar os fins desejados. Nesta selvajaria em que também impera a lei do mais forte e do mais rico, muitas vezes o respeito pelos limites físicos dos atletas é completamente esquecido.
Quando os olhos do mundo se fixam nas cidades da Rússia que vão acolher o Campeonato do Mundo de Futebol de 2018, seria importante que o respeito imperasse tanto entre os entusiastas da modalidade como entre os protagonistas deste espectáculo de massas. Uns e outros são chamados a dar o seu contributo para que também no futebol não haja distinção de raça, sexo, religião ou ideologia. Também no futebol a pessoa humana deve estar sempre em primeiro lugar.