“Este pobre grita e o Senhor o escuta” é o tema proposto pelo Papa Francisco, para o segundo Dia Mundial dos Pobres, que este ano será celebrado no dia 18 de Novembro.

Divulgada na memória litúrgica de Santo António de Pádua, para os portugueses Santo António de Lisboa (13 de Junho), a mensagem refere que as palavras do salmista tornam-se também as nossas no momento em que somos chamados a encontrar-nos com as diversas condições de sofrimento e marginalização em que vivem tantos irmãos e irmãs nossos que estamos habituados a designar com o termo genérico de “pobres”.
O texto proposto para este ano dá-nos conta das “consequências sociais dramáticas” da pobreza, ao mesmo tempo que condena o que qualifica como “aversão” aos pobres.
“Quantos percursos conduzem a formas de precariedade: a falta de meios elementares de subsistência, a marginalidade quando se deixa de estar no pleno das próprias forças de trabalho, as diversas formas de escravidão social, apesar dos progressos levados a cabo pela humanidade”.
A mensagem diz-nos que a pobreza não é procurada, mas é “criada pelo egoísmo, pela soberba, pela avidez e pela injustiça”, convidando todos a um “sério exame de consciência”.
Ao mesmo tempo que critica a “aversão aos pobres” manifestada por alguns sectores da sociedade, que os consideram “não apenas como pessoas indigentes, mas também como gente que traz insegurança, instabilidade, desorientação das actividades diárias e, por isso, gente que deve ser rejeitada e mantida ao longe”, o Papa manifesta a sua solidariedade a todos os que são “espezinhados na sua dignidade” e são perseguidos “em nome de uma falsa justiça, oprimidos por políticas indignas deste nome e atemorizados pela violência”.
“A condição de pobreza não se esgota numa palavra, mas torna-se um grito que atravessa os céus e chega até Deus”, acrescenta o documento.
Numa semana em que a Igreja da Guarda viveu um acontecimento impar, com a ordenação episcopal de D. António Luciano, para Bispo de Viseu, foram muito sugestivas as palavras que dirigiu às crianças, adolescentes, jovens, casais, idosos, frágeis, doentes, abandonados e a todos os que experimentam a dor e a solidão, ao dizer que “a comunhão fraterna, a proximidade, a gratuidade e a solidariedade são muito mais que gestos importantes, são a base sólida de uma sociedade sadia e de uma Igreja renovada”.
Felizmente ainda há gente que acredita que é possível viver num mundo com comunhão fraterna, proximidade, gratuidade e solidariedade.
A celebração do Dia Mundial dos Pobres alerta-nos para uma realidade que faz parte deste mundo em que vivemos e que é preciso resolver.
Hoje mais do que nunca, o grito dos pobres precisa de ser acolhido de maneira a “repor a justiça e para ajudar a recuperar uma vida com dignidade”.