Passou o primeiro centenário da morte de São Bento Menni, sacerdote ilustre

, nascido em Milão, no seio de uma família numerosa. Era o quinto filho dos quinze que teve Luís Menni e sua esposa Luisa Figini.
Aos dezasseis anos, trabalhava já num banco, mas saiu do seu emprego, com receio de se ver envolvido em contendas contrárias aos seus princípios éticos.
Sem nada a fazer, devotou-se a ajudar os Irmãos de São João de Deus que recebiam os soldados feridos na batalha de Magenta.
Foi o contacto com o sofrimento, a devoção a Nossa Senhora, uns exercícios espirituais que o levaram a descobrir a sua vocação para a vida religiosa. Aos dezanove anos pediu a entrada na Ordem Hospitaleira que já servia. Ângelo Hércules, assim era o seu nome, a treze de Maio de 1860, vestiu o hábito de frade e mudou o nome para Bento. Sentindo-se com vocação eclesiástica, pediu ao superior licença para completar os estudos de teologia em Roma, onde frequentou o Colégio Romano, hoje, Universidade Gregoriana.
Já sacerdote, é recebido em audiência, juntamente com o padre Alfieri, pelo Beato Pio IX que lhe dirigiu estas palavras: “Vai-te a Espanha, filho meu, com a bênção do céu, e restaura a Ordem na terra onde surgiu”.
Sem delongas, parte de Marselha para Espanha, onde o esperavam muitas dificuldades tanto civis como eclesiásticas e ainda outras vindas das hostilidades da I República.
O seu ardor apostólico, porém, impulsiona-o a restaurar a Ordem, poucos meses depois de sua entrada em Espanha, fundando um Hospital infantil em Barcelona. Foi logo ajudado por numerosos discípulos com os quais vai refundar os Hospitaleiros em Portugal e México.
Em 1973, época da perseguição religiosa em Espanha, é preso, quando, vestido à civil, escondia, em casa de uns amigos, uns hábitos religiosos e alguns vasos sagrados.  Escapa ao fuzilamento, mas é expulso de Espanha.
Refugia-se em França com alguns irmãos e dois noviços. Nesse mesmo ano, 1873, quando desembarcava no porto de Tanger, onde queria construir um asilo hospitalar foi atirado ao mar por uns anticlericais aos quais perdoou, antes de serem encarcerados.
Com a restauração de Afonso XII, deram-lhe licença para estabelecer a Associação dos Enfermeiros Irmãos de Caridade em todo o território nacional.
Foi construindo algumas casas, mas uma vez chegado a Granada, deparou com duas jovens, Maria Josefa Récio e Maria Angústias Gimenez com as quais irá, mais tarde, lançar os alicerces de uma nova Congregação, as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, que a Santa Sé aprovou em 1901.
Estende logo, por vários continentes, ramos desta nova Congregação, hoje repartidos por vinte e quatro nações e com mais de cem centros hospitaleiros. Só em Portugal, conhecemos uns poucos, desde a Guarda até às ilhas.
Ornado com tamanhos trabalhos e êxito, foi Visitador Apostólico da Ordem e até Superior Geral.
No final de sua existência, surgiram, no entanto, calúnias e maledicências até de seus próprios confrades que tiveram aceitação em Roma. Então foi-lhe proibido qualquer contacto com os membros da Congregação que ele próprio fundara.
Para melhor cumprir este castigo, deixou a Espanha e refugiou-se em França, onde passou, por entre angústias e aviltamentos infames, entre dores físicas e morais, os seus dois últimos anos de vida. Veio morrer, em Dinán, França, a 24 de Abril de 1914, por entre destituições e vexames, indiferenças e desprezos, não provenientes dos inimigos da Igreja, mas dos seus próprios confrades.
Como a verdade, porém, costuma manifestar-se, com a passagem dos tempos, depois da sua morte, foi reexaminado o seu viver e foi encontrado não apenas inocente de quanto o acusavam como foi compreendido e aceite como um justo e virtuoso, precisamente por via da humildade com que aceitou, sem procurar defender-se das aleivosias que lhe levantaram, pois ele procurava sempre a paz entre todos os membros dos Hospitaleiros.
Poucos anos depois, abriram o processo da sua beatificação e, em 21 de Novembro de 1999, foi canonizado por João Paulo II na basílica de São Pedro em Roma.
Por toda a parte onde a sua Ordem foi estabelecida, começado o ano primeiro do centenário da sua morte, foi glorificada a sua memória, lembradas as suas virtudes, com grandes festejos e solenidades.
Aqui, na Guarda, se encerrou, na sé catedral, este primeiro centenário da sua morte. Foi a grande alegria e satisfação espiritual de quantos pertencem à sua família espiritual e ainda de tantos que fruem, no corpo e na alma, do carisma que São Bento Menni deixou no mundo.
Se Deus deixa amesquinhar os humildes, também os exalta. Este é um exemplo para reter na memória.