“A mulher de César deve estar acima de qualquer suspeita” considerou o Imperador de Roma quando questionado pelos senadores em relação à separação da mulher Pompeia, devido a um suposto sacrilégio.


Esta frase de Júlio César deu origem a um provérbio bem conhecido entre nós: “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

Vem este episódio a propósito da visita recente de um secretário de estado ao interior do País, mais propriamente ao concelho da Guarda. Bem falaram os representantes de organismos e instituições públicas apresentando argumentos válidos, para a necessidade de continuar a acreditar numa zona cada vez mais despovoada e esquecida. Esmiuçaram-se argumentos, foram apresentados projectos e propostas tendo em vista o futuro de uma região que também merece e deve crescer.

Foi visível o incómodo dos palestrantes e ouvintes com a falta de atenção e distracção, para não dizer má educação, do dito membro do Governo. Nestas terras, de gente dura e rija, é usual ouvir dizer que “quando um burro fala, os outros abaixam as orelhas”.
Numa cerimónia que deveria ter elevação e prestígio acabou por dar nas vistas a postura de um senhor vindo dos lados de Lisboa, em representação do Governo, que parece não conhecer as regras de etiqueta e que passa ao lado de todas as normas de cortesia.

É certo que “nem tanto ao mar nem tanto à serra”, ou seja, em tudo deve haver um meio-termo. Não devemos exagerar nem para um lado nem para outro. Não devemos cair em excessos e procurar o equilíbrio. Há momentos próprios para atender o telemóvel, para ver e responder a mensagens…

Pois é senhor secretário de estado, se “à mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”, também “a um membro do Governo não basta ser secretário de estado, deve parecer secretário de estado”.