Na Guarda vive cá gente!

Os meses de Julho e Agosto são, habitualmente, tempo de férias, e, para muitos, de regresso às origens. Noutras décadas, ainda do século passado, homens e mulheres, arrastando consigo as gerações mais novas, partiram para outros lugares e países à procura de uma vida melhor. A Beira, apesar de ser conhecida pela sua hospitalidade, era agreste e rude quando a alternativa não ia além do amanho da terra. Era assim há décadas atrás e continua a ser assim também agora, mesmo quando outras possibilidades de emprego ganham força. A debandada dos mais novos só é quebrada, acidentalmente, por algum mais resistente e amante da terra que o viu nascer. As grandes metrópoles continuam a atrair multidões em busca de novos desafios e ávidas de melhores condições de vida. Lidamos a cada instante com pessoas nómadas, que deixaram de ter lugares de referência, que não conhecem as suas raízes. Há uma inculturação constante de usos e costumes que, de locais, rapidamente passam a universais. Em situações normais, nesta altura do ano, a Guarda cidade, concelho e distrito, começava a fervilhar de gente vinda de todos os lugares. Aos ainda filhos destes lugares costumam juntar-se outros, que aqui descobriram um mundo simples, calmo e com grande qualidade de viva. Mas, este ano, tudo parece diferente! Nas aldeias da região há menos gente nas ruas e nas localidades mais populosas o movimento também não é muito. São os efeitos de uma pandemia à escala mundial que parece fustigar, de maneira drástica, as zonas mais despovoadas e esquecidas. As festas e romarias, que enchiam os povos de vida, desta vez não vão sair à rua e os bailaricos estão adiados. Na raia do Sabugal a capeia vai dar tréguas com o forcão em pose de descanso sem rapazes que o manejem. As Aldeias Históricas, assim como a Estrela e a Malcata vão ter menos visitantes. No entanto, estes meses continuam a ser importantes para todos, principalmente para os resistentes de um território cada vez mais esquecido e inóspito. Habitualmente são meses de mais gente e, consequentemente de algum movimento económico, que dá alento aos pequenos comércios de tantas aldeias. Na Guarda cidade, concelho e distrito vive cá gente que precisa de continuar a acreditar em melhores dias. Vive cá gente que faz da tradição, da hospitalidade e da boa gastronomia o seu modo de vida. Na Guarda vive cá gente que sabe receber e partilhar.