Nas velhas peregrinações a São Tiago de Compostela, geralmente feitas a pé, após um pequeno descanso, por entre as estafas de cada tirada

, os romeiros estimulavam-se mutuamente, repetindo a antiga palavra latina ultra – além – e a interjeição grega eia – ânimo – para de novo se porem a calcorrear as grandes distâncias, atravessando, tantas vezes, várias e diferenciadas nações. Tal expressão ficou na gíria dos cursilhistas, os que assistiram a um curso de cristandade, exercício espiritual em ordem a uma elementar e religiosa reflexão, a fim de viverem mais conscientemente a sua caminhada cristã.
Tal assunto vem à colação, porque o Santo Padre, no dia trinta de Abril, recebeu em audiência milhares de pessoas pertencentes a este movimento evangelizador às quais explanou certas ideias úteis não só para o crescimento espiritual de cada um mas ainda a realizarem a sua missão própria na Igreja e no mundo.
Frisou o conteúdo do carisma dos Cursilhos iniciados na década de quarenta do século transacto e firmados, desde logo, no testemunho, na amizade e compreensão recíprocas e ainda no zelo apostólico da vida quotidiana.
Desenvolveu o Sumo Pontífice a atitude simples de quem não actua por proselitismo mas tão somente para imbuir de graça e amor divinos as vidas e os caminhos de amigos e conhecidos, numa perfeita gratuidade, seguindo o modelo do Senhor que desceu do Céu para encontrar-Se com os homens.
Apontou o itinerário certo para todos se unirem e reunirmos ao mistério de Cristo, mormente através dos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação, pela leitura frequente da Palavra divina, ouvindo com respeitosa familiaridade o ensinamento de Jesus bem claro e patente na Bíblia e no ensino da Igreja.
Indicou a festa do regresso do pecador ao seio de Deus, estabelecendo a união com Cristo, fonte da estima harmoniosa de todos os irmãos a quem se deseja auxiliar a crescer na fé. Recordou ser o início dos Cursos de Cristandade assente na amizade sempre a crescer, na medida das reuniões com os outros.
Lembrou a todos a maneira de conservar e fazer subir o autêntico amor a Deus e aos irmãos, nos frequentes encontros, já que os amigos desejam unir-se mais e mais, na benevolência e compreensão mútuas, frisando: “Peço-vos que mantenhais sempre o clima de amizade fraterna no qual o rezar e o partilhar todas as semanas as experiências, os sucessos e as falhas apostólicas são um apoio”.
Mais à frente, insiste: “Nestas reuniões de pequenos grupos, é importante incluir momentos que favoreçam a abertura a uma dimensão social e eclesial cada vez mais firme e constante, comprometendo também quem entrou em contacto com o vosso carisma mas não participa habitualmente num grupo”.
O exemplo bem manifesto nas atitudes da mãe Igreja sempre acolhedora, mesmo para com os transgressores, extraordinariamente amável e caritativa que se sacrifica tanto pelos filhos sobretudo com os mais precisados de amparo e benevolência.
Perante os problemas que trazem os tempos novos e as circunstâncias diferentes que hoje somos obrigados a viver, também se torna importante uma certa adaptação feita quando as circunstâncias recomendam. Os hábitos vão-se, por vezes, tornando obsoletos e as novas necessidades dos outros obriga a perspectivar as coisas em moldes distintos. Tantas vezes, os apelos dos movimentos, mesmo na sua fidelidade ao carisma requerem a exigência de mudança para uma certa novidade, a fim de se poder obviar a novas formas e mudar algumas situações.
Através dos anos que tem o movimento cursilhista, tornou-se imperioso e conveniente adaptar-se ás circunstâncias a que o tempo nos conduziu. Para ocorrer a isso, já este ano, saiu da tipografia a terceira redacção do livro ‘Ideias Fundamentais do Movimento dos Cursilhos de Cristandade’ cuja edição primeira apareceu pelo ano de 1974, a propor as necessárias modificações para os tempos de agora, não alterando o espírito inicial que previa as resoluções fundamentais e os modos e estruturas para os ir adaptando.
Comprometido na evangelização dos ambientes sobretudo no primeiro anúncio da Palavra e no ardor de comunicar aos outros a felicidade sentida com a aceitação deste anúncio, o cursilhista, feliz por ter encontrado Cristo na graça da unidade eclesial, se verdadeiramente ama os seus irmãos e se traz consigo o zelo apostólico, procura difundir o seu entusiasmo e contentamento.
Se as cerimónias da Igreja vinda de há séculos tiveram de se modificar nos nossos dias, para auxiliar melhor os crentes e viverem sua fé, outras formas de viver cristãmente poderão sofrer algumas adaptações. Pense-se no alargamento das horas da missa para de manhã e de tarde, e ainda, nos dias de preceito, para se cumprir mais facilmente o dever de celebrar a eucaristia a possibilidade de aproveitar a véspera para cumprir tal preceito.
Para tanto, a Escola dos Dirigentes é a estrutura básica para manter e alargar o espítio apostólico dos leigos.