A perseguição aos cristãos é uma problemática que está a tomar proporções cada vez mais “alarmantes” em todo o mundo.

Esta é a principal conclusão do ‘Relatório sobre a Perseguição aos Cristãos’ um estudo independente que foi apresentado esta terça-feira, em Roma.
Antoine Camilleri, subsecretário do Vaticano para as Relações com os Estados, destacou a importância deste trabalho para “uma crescente consciencialização à volta do problema da discriminação e perseguição motivada pela crença religiosa” e para denunciar “o contexto trágico em que vivem os cristãos em diversas partes do mundo”.
De acordo com este responsável “a perseguição religiosa atinge, hoje, em larga escala uma variedade de comunidades religiosas, grupos e indivíduos” e “infelizmente, muitos destes crimes parecem continuar impunes e a persistir sob pouco mais do que o olhar envergonhado da comunidade internacional”
O ‘Relatório sobre a Perseguição aos Cristãos’ é um projecto promovido pelo secretário de Estado para Assuntos Externos do Reino Unido, Jeremy Hunt, que contou com o contributo do bispo anglicano de Truro, Philip Mounstephen.
O trabalho mostra que, nos nossos dias, uma em cada três pessoas sofrem de perseguição religiosa em todo o mundo, sendo que 80 por cento das vítimas são cristãs.
O relatório dá conta de que as situações mais graves acontecem nos territórios do Médio Oriente e do Norte de África, onde a perseguição atinge um nível tão extremo que, de acordo com os parâmetros da ONU, pode ser considerada como “genocídio”.
Um outro relatório, sobre a Liberdade Religiosa, publicado, no final de 2018, pela Fundação Ajuda a Igreja que Sofre, denunciava um aumento das violações a este direito e uma deterioração da situação das minorias religiosas, apresentando uma “lista negra” de países com violações significativas. Na enumeração estão nações como o Brunei, Cazaquistão, China, Coreia do Norte, Eritreia, Iémen, Índia, Iraque, Líbia, Maldivas, Mauritânia, Mianmar, Nigéria, Palestina, Paquistão, Quirguistão, Rússia, Sudão, Tajiquistão, Turquemenistão.
Perante uma realidade tão cruel, o subsecretário do Vaticano para as Relações com os Estados refere que “os governos devem perguntar a si mesmos até que ponto estão realmente empenhados na defesa da liberdade religiosa e no combate à perseguição baseada na religião ou na crença”. E pergunta: “Quantos é que refreiam o ímpeto de condenar estes actos, ou mesmo condenando colaboram política, económica, comercial e militarmente neles, ou simplesmente fecham os olhos a alguns dos mais acérrimos violadores deste direito fundamental?”.
Em pleno século XXI continuamos a ouvir falar de pessoas perseguidas por causa do credo que professam, bem como do fraco empenho dos responsáveis mundiais, na defesa da liberdade religiosa.