O jornal A GUARDA integra a lista de jornais centenários que são publicados em Portugal.

No dia 15 de Maio de 1904, aparecia na Guarda o boletim quinzenal A GUARDA, com secções de Pastoral, Homilética, Religiosa, Científica, Literária e Noticiosa. Só depois começou a ser publicado como Semanário Católico Regionalista, menção que ainda mantem actualmente. O Bispo D. Manuel Vieira de Matos dava assim início a um projecto que haveria de galgar as fronteiras da Diocese para rapidamente se espalhar por todo o território nacional e, mais tarde, por tantos cantos do mundo onde havia gente da região.
O historiador Jesué Pinharanda Gomes escreveu, na altura do centenário que “A GUARDA é mais do que o jornal regional mais antigo. É o decano dos semanários católicos portugueses”.
A partir da cidade mais alta do país, A GUARDA tornou-se a matriz de uma cadeia de jornais que, aproveitando as suas páginas doutrinais, fizeram edições locais com colaboração e publicidade próprias. Servem de exemplo, entre outros, os títulos: União Nacional (Braga), Associação Operária (Lisboa), União (Santarém), Alerta (Bragança), Estrela Polar (Lamego), Jornal de Lousada, Sul da Beira (Covilhã), Deus e Pátria (Barcelos), Avante (Póvoa do Varzim).
Estas edições, que funcionavam como órgãos do movimento católico, acabariam por desaparecer com a implantação da República.
A vida do jornal A GUARDA nem sempre foi fácil, pois, em virtude de perseguições políticas, teve de se editar quase na clandestinidade, com recurso a outros títulos (A Velha Guarda – 1913, A Guarda Avançada – 1913, Jornal da Guarda – 1913 a 1919).
Como semanário, para além da política, o Jornal A GUARDA fazia catequese, divulgava a doutrina social da igreja, e dava voz às aldeias.
Na altura, o aparecimento do semanário A GUARDA levou o Partido Democrático a fundar o semanário O COMBATE, dirigido pelo poeta José Augusto de Castro. Entre os dois semanários houve verdadeiros confrontos e, depois de 1910, com a República, O COMBATE apoiou as tentativas para o silenciamento e extinção de A GUARDA, numa postura em total desabono da liberdade de expressão de pensamento que o novo Regime dizia tutelar.
Ao assinalar 114 anos de existência, A GUARDA continua a sua missão de informar e formar. Em tempo de grandes mudanças, não só tecnológicas mas também de hábitos de leitura, o Jornal A GUARDA quis saber a opinião do Bispo da Guarda, dos Bispos originários da Diocese e do Presidente da Comissão Episcopal da Cultura dos Bens Culturais e das Comunicações Sociais, sobre “A importância da imprensa regional na informação e formação dos povos”.
Uma palavra de gratidão a todos os que continuam a acreditar neste projecto, principalmente aos assinantes, leitores e anunciantes.
Agradecemos o empenho de toda equipa e dos colaboradores que semanalmente dão o seu melhor, para continuar a fazer do Jornal A GUARDA património da cidade, da Diocese, da Região, do País e do Mundo.