Há 43 anos que se instituiu na Igreja uma semana para lembrar a problemática vivida por milhares e milhares de pessoas

que deixaram a sua pátria, a sua gente, e demandou outra região e até outro país, a fim de salvar a vida ou a recompor.
Além dos problemas da migração, surgem, já no nosso tempo, a questão de quantos não podendo viver facilmente na sua pátria de origem, se vêem obrigados a buscar soluções, em países estranhos, acarretando para todos um suplemento às dificuldade mundiais.
Ora tudo isto se insere no âmbito de convivência humana que não na própria realidade da pessoa.
Nos tempos antigos, remontemos a Adão e Eva, não se discutiam estes debates. Existia apenas uma família. Mas, ao multiplicarem-se os homens, surgiram logo problemas sempre a aumentar com o decorrer dos tempos e com o crescimento da população.
Tais dificuldades vinham sobretudo do egoísmo que impera facilmente, sem deixar esclarecer nem solucionar desacordos.
Em numerosas sociedades, inclusive familiares, ficavam pendentes por séculos muitas disputas, em grande parte, ainda não resolvidas.
Até numa sociedade fundada no amor com base na caridade, a Igreja católica, surgiram terríveis tempestades e provocantes escândalos nascidos de causas quase idênticas: o ciúme, a emulação, a inveja, a rivalidade...
Quando Jesus enviou os Apóstolos pelo mundo além, não pôs problemas de lugares, mas alargou a sua acção à terra inteira nem de precedências ou primazias, constituindo seus seguidores uma única família, um só corpo.
Mas os homens da Igreja, com seus defeitos humanos e tendências nascidas do mal também se afastaram e indispuseram.
Vieram problemas até aos tempos modernos, apesar do próprio Senhor, ter avisado acerca das dificuldades que atingiriam até a unidade e o bom entendimento do seu rebanho...
Vamos entrar na Semana das Migrações atinente, este ano, a uma dimensão com carácter eclesial “Igreja sem fronteiras: somos um só corpo”.
Como o mandato fundamental de Jesus foi: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura”, a fraternidade dos crentes está definida, sem dar azo a separações, a disputas, a desavenças e muito menos a discórdias.
Desde os tempos antigos, a guerra fazia parte da tradição dos povos quando não dos grupos particulares e até das famílias. Ainda hoje muitos continuam a clamar pela violência para conseguirem a superioridade e firmá-la até contra as normas da justiça, enquanto o Evangelho prossegue no mesmo clamor de outrora: “amai-vos uns aos outros como Eu vos amei”.
A fome, a violência, as divisões, os conflitos e contendas não pertencem aos princípios da humanidade. A partilha, a entreajuda, a harmonia e a união na equidade são esperanças nascidas do cristianismo. Fazem parte da nossa expectativa e dos anseios da convivência universal. A unidade dos crentes, a concórdia dos filhos de Adão é a esperança anunciada para realizar o novo Reino proposto por Aquele que veio com o desejo de tornar o mundo um novo paraíso renascido da sua cruz e dos sacrifícios dos seus seguidores.
Quando a migração, segundo o programa amoroso da Igreja conseguir uma comunidade humana fraterna e pacífica, estaremos a vislumbrar o mundo novo anunciado pelo Senhor Jesus no qual um único Pastor apascentará um só rebanho. Deste modo, os gestos solidários de ajuda mútua, de bom entendimento, da harmonia jubilosa e feliz, concertarão a humanidade numa grande família apoiada na fé e no mandamento da caridade sempre a abranger sobretudo os menos felizes e afortunados.
A Igreja Católica, com os últimos acontecimentos que perpassaram sobretudo pelas gentes mais responsáveis pelos ministérios, tem proclamado bem alto não apenas a unidade da Igreja mas também a conciliação e harmonia das pessoas e dos povos.
Vejamos a origem dos últimos papas. Reconheçamos os seus esforços para se encontrar em todos os aspectos o bom entendimento entre todas as pessoas e, ao mesmo tempo, a firme convivência fundada na sabedoria em toda a terra.
Quando tiverem desaparecido os migrantes e refugiados porque em qualquer parte do mundo todos se sentirem bem, então desaparecerão os problemas da migração, já que qualquer parte é nossa pátria. Na sua mensagem, o Papa afirma: “À globalização do fenómeno migratório é preciso responder com a globalização da caridade e da cooperação”, deste modo, se humanizará a terra inteira.