“Na realidade, os anciãos têm o carisma de ultrapassar as barreiras entre gerações.

Quantas crianças têm encontrado compreensão e amor nos olhos, nas palavras e nos carinhos dos anciãos! E quantas pessoas de idade não pressentem gostosamente as palavras bíblicas: a coroa dos anciãos são os filhos dos seus filhos”! (Fam. Cons. 27)
O dia 26 de Julho, memória de São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus, é dedicado aos avós. A data convida-nos a olhar para as nossas raízes. Para aquilo que somos e de onde viemos.
Damos conta de que a nossa história não começou, de modo nenhum, connosco, mas teve início com os nossos pais, com os nossos antepassados. Aquilo que somos tem sempre como referência a nossa geração precedente.
Infelizmente parece que a geração actual perdeu a memória e não quer ver o que é evidente. Há cada vez mais dificuldade em acolher o que não é recente, o que não é moderno. A velhice torna-se, em muitas situações, uma época da vida mal amada.
A Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o dia dos avós, deste ano, procura valorizar a presença e o testemunho dos avós no quadro familiar, apresentando-os como “altar da sabedoria”.
“Esquecer os avós é fazer tábua rasa da memória da nossa própria história familiar, das virtudes e defeitos que nos correm no sangue” lembra o documento.
Apesar de serem entendidos como “uma graça” e um “altar de sabedoria”, os avós nem sempre são valorizados e muitas vezes são postos de lado e esquecidos.
Os avós, “livres da pressa e do rendimento do trabalho, ensinam-nos a apreciar as coisas com gratidão e sabedoria. Marcados pela vida, guardam na memória ensinamentos do passado que previnem erros do futuro. São, no seu testemunho de oração constante e de resistência pacífica, uma verdadeira escola de evangelho. Podem ser o fiel da balança, no equilíbrio de gerações”.
Testemunho de “oração constante e de resistência pacífica” podem significar, em alguns quadros familiares, a “ligação ou corrente de transmissão de valores e experiências”.
A mensagem recorda que se “não fossem os avôs e avós, e muitas das nossas crianças e adolescentes estariam entregues a si próprios no que respeita à catequese, à oração e à vida cristã”.
Os responsáveis da Comissão pedem que se valorize o papel dos avós, que transportam “dádiva”, “experiência e a sabedoria do encontro e diálogo de gerações”.
“Que os avós se sintam valorizados e a sociedade lhes reserve um lugar na vida comum”, assinala a mensagem, que termina com palavras de “merecida homenagem” aos que dão “os primeiros rudimentos da fé, os abraços mais generosos e o testemunho da mais bela sabedoria”.
Neste dia dos avós, memória de São Joaquim e Santa Ana, saibamos regressar às nossas raízes, à memória da nossa história familiar.