Segundo estava anunciado na Bula “O Rosto da Misericórdia”

: “O Ano Santo abrir-se-á no dia 8 de Dezembro de 2015, solenidade da Imaculada Conceição”, o Santo Padre, na basílica de São Pedro do Vaticano, celebrou o ritual previsto para o início do Ano Jubilar da Misericórdia, ficando como indicativo luminoso para as igrejas catedrais que, sob a presidência do seu bispo, irão, no próximo domingo, dia 13, celebrar idêntico mistério.
Ficámos a saber o significado místico deste gesto assombroso e revelador onde se procurou despertar a alma dos crentes para, depois de contemplarem a maravilha do amor divino que “de tal modo amou o mundo que lhe deu o seu Filho Unigénito”, seguirem o exemplo inefável desta infinita ternura que se tornou sensível na paixão e morte de Jesus, após a sua incarnação inimaginável.
Desenrolar-se-á, na Sé egitaniense, um rito que tem por título “Abertura da Porta da Misericórdia nas Igrejas Particulares”. Por seguir um ritual novo, torna-se oportuno explicá-lo, em breves palavras.
O termo porta é uma palavra universal no mundo inteiro e significa o lugar e o mecanismo usado para se penetrar numa casa ou numa cidade rodeada de muralhas ou ainda num espaço vedado ao público.
Ainda hoje, a porta é muito importante para defender uma habitação ou espaço não totalmente público. Usa-se em toda a parte, para significar a privacidade de um terreno ou de qualquer edifício. Ao mesmo tempo que impede alguém de entrar, também, ao abrir-se, serve para unir e congregar as gentes.
O Senhor Jesus definiu-Se a Si próprio e à sua missão nestes termos: “Eu sou a porta: quem entra por Mim salvar-se-á; poderá entrar e sair e encontrará pastagem!”. Foi-se usando esta palavra com maneira de fazer ligação e unidade. No caso do Evangelho citado, o pensamento desenvolve-se: “Ninguém vai ao Pai senão por Mim”.
Deste modo, abrir a porta da misericórdia quererá significar ou abrir relações com Deus ou retomá-las com maior profundeza.
O rito para realizar tal cerimónia, de uma forma solene tem várias fases: estação ou ajuntamento do povo, num local sagrado, caminhada para um templo onde se possa celebrar a divina eucaristia, abertura da porta da igreja, aspersão com água benzida, recordando o baptismo, celebração solene da santa missa, tudo acompanhado por várias preces e leituras escriturísticas.
O sentido de tudo isto facilmente aparece a quantos estão habituados a participar na divina liturgia.
Assim, o ajuntamento das pessoas dá logo a ideia do povo que, como tal, quer buscar o Senhor, e a Ele se unir na continuidade perene da sua presença, nesta terra visível. Aí se toma o Evangeliário, para tornar mais sensível a presença da sua Pessoa.
A procissão vem-nos dizer quanto a misericórdia divina vai exigindo empenho e sacrifício para se alcançar. A abertura da porta da casa do Senhor exige maior concentração. Donde a ordem do bispo: “Abri as portas da justiça, nelas entraremos para dar graças ao Senhor” – estando já abertas, prossegue – “ Esta é a porta do Senhor: por ela entramos para alcançar misericórdia e perdão”.
Já na igreja, segue-se a cerimónia da lembrança do baptismo com a bênção da água e aspersão das gentes: “Deus omnipotente nos purifique do pecado e, pela celebração da Eucaristia, nos torne dignos de participar na mesa do seu reino”.
A acção de Cristo e do seu povo onde o Pai vem ao encontro de todos os que O procuram e continuamente oferece a sua aliança e nos faz saborear a eternidade do seu reino, celebra-se com devoção e amor, contemplando o mistério de misericórdia fonte de alegria, de serenidade e de paz que é precisamente a santa Missa, memorial da Paixão e Morte do Calvário, onde o Deus benigno e compadecido, repleto de piedade e indulgência nos aponta o seu exemplo para todos nós cumprirmos o seu mandamento: “Sede misericordiosos como o vosso Pai celeste é misericordioso”: revelado em Cristo para nos tornarmos nós mesmos o reflexo palpável da misericórdia.
O ano aí fica para contemplarmos a misericórdia maravilhosa do nosso Deus e fazermos como Ele.